Ucrânia/Conflito

Depois de cessar-fogo, quase mil pessoas morreram na Ucrânia

Nikolaï Sergueevitch, um dos poucos habitantes que permaneceram no bairro de Kievski, em Donetsk. Mais de 460 mil pessoas deixaram suas casas
Nikolaï Sergueevitch, um dos poucos habitantes que permaneceram no bairro de Kievski, em Donetsk. Mais de 460 mil pessoas deixaram suas casas © Anya Stroganova

Quase mil pessoas foram mortas na Ucrânia desde que foi assinado o cessar-fogo entre Kiev e os rebeldes pró-russos, em 5 de setembro passado. Segundo o balanço divulgado nesta quinta-feira (20) pela ONU, uma média de 13 pessoas morreram por dia desde o acordo. Contando as 298 vítimas do abatimento do MH17, da Malaysia Airlines, o número de mortos desde a metade de abril, quando começaram os combates, chega a 4.317.

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"O número de vítimas continua crescendo", disse, em comunicado, a alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra'ad al-Hussein. "Civis, incluindo mulheres, crianças, minorias e uma enormidade de indivíduos e grupos vulneráveis, continuam a sofrer as consequências da crise política na Ucrânia", afirmou.

O conflito também provocou um grande contingente de refugiados dentro do país, principalmente nos últimos meses. Na metade de setembro, 275.489 pessoas haviam deixado suas casas. Sob o cessar-fogo, este número aumentou exponencialmente e, nesta quarta-feira, chegava a 466.829.

O relatório, realizado pela Missão das Nações Unidas para o Monitoramento dos Direitos Humanos na Ucrânia, também detalha graves infrações aos direitos humanos, perpetradas pelos dois lados. Um soldado ucraniano, por exemplo, disse que teve o braço direito decepado com um machado por causa de uma tatuagem com a frase "Glória à Ucrânia". Um separatista preso pelas forças ucranianas declarou que foi sufocado com sacos plásticos e sofreu espancamentos diários.

Nas últimas 24 horas, um combatente serparatista morreu e cinco ficaram feridos em Donetsk. Do lado ucraniano, foram seis soldados feridos. Perto da cidade de Lugansk, sob controle rebelde, uma enfermeira de 58 anos morreu e outro civil foi ferido em um ataque.

Ataque contra comboio da OSCE

Também nesta quinta-feira, a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) denunciou que um de seus comboios foi alvo de tiros em Marinka, cidade controlada por Kiev a 15 km de Donetsk, o principal bastião da insurgência.

Em comunicado, a OSCE informou que as "balas (disparadas por um homem de uniforme) foram parar a dois metros do segundo veículo do comboio". De acordo com a organização, essa foi a primeira vez que tiros foram deliberada e diretamente disparados contra os observadores internacionais.

Apesar de o comunicado tratar o incidente como um "caso isolado", na terça-feira (18), disparos de advertência foram feitos na direção de um carro da OSCE que se aproximava da linha do fronte, em Debaltseve. A OSCE tem quase 300 funcionários monitorando o cumprimento do cessar-fogo na Ucrânia.

Joe Biden

Na sexta-feira (21), o vice-presidente norte-americano Joe Biden participa da comemoração do primeiro aniversário dos protestos que derrubaram o antigo presidente pró-russo Viktor Yanukovich. Depois de assistir à celebração, Biden se reúne com o presidente Petro Porochenko e com o primeiro ministro Arseni Yatseniuk. O principal assunto em pauta, informou seu gabinete, será a série de "violações russas" do cessar-fogo assinado em setembro na capital da bielorrússia, Minsk.
 

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