Europa/COP21

Negociadores de 195 países buscam pré-acordo sobre clima na Alemanha

O ministro francês das Relações Exteriores, Laurent Fabius, diante do logo da Conferência do clima em Paris
O ministro francês das Relações Exteriores, Laurent Fabius, diante do logo da Conferência do clima em Paris REUTERS/Philippe Wojazer

A seis meses da abertura da COP21 em Paris, a Conferência da ONU sobre o Clima, negociadores de 195 países, incluindo o Brasil, se reúnem a partir de hoje em Bonn, na Alemanha, para preparar a primeira versão de um possível acordo multilateral destinado a limitar o aquecimento global.

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As principais questões em pauta são: para conseguir limitar o aumento da temperatura global a 2°C em relação à era pré-industrial, qual deve ser o tamanho da redução das emissões de gases responsáveis pelo efeito estufa? Como casar a exigência de redução nas emissões com as necessidades energéticas dos países em desenvolvimento? Quais devem ser os parâmetros de ajuda aos países mais afetados pela mudança climática (secas, aumento do nível do mar etc.)? Quais as primeiras medidas que devem ser aplicadas até 2020, data de entrada em vigor do futuro acordo?

Pré-acordo

Na chegada à sessão de abertura, o ministro francês das Relações Exteriores, Laurent Fabius, afirmou que espera um pré-acordo sobre o clima até outubro. "A menos de 200 dias da COP21, cada encontro deve constituir um passo suplementar em direção ao acordo", declarou. Ele informou ainda que a França organizará dois encontros ministeriais em Paris, nos dias 20 e 21 de julho, para "avançar sobre as questões mais delicadas".

Para orientar a discussão, que dura até o dia 11 de junho, os negociadores devem se basear em um texto de 80 páginas redigido em Genebra. Esse documento é criticado por especialistas por ser demasiadamente longo e repleto de pontos contraditórios e redundantes.

Mesmo assim, Mattias Soderberg, chefe de uma coalizão de igrejas e organizações de 140 países, acredita que "se as partes mais ambiciosas forem mantidas, teremos um acordo que poderá promover uma transformação global na direção de um futuro verde, sustentável e de 'baixo carbono'". Em comunicado, ele afirmou que "tal acordo salvaria vidas, limitaria os riscos de conflito e forneceria as bases para o crescimento e o desenvolvimento duráveis".

Outros, como o economista britânico Nicholas Stern, estão menos entusiasmados. Para ele, o "caminho ainda é longo" e é preciso que haja uma grande reorientação dos investimentos para tecnologias e infraestruturas com baixa emissão de CO2.

Texto inadequado

A ministra francesa do meio Ambiente, Ségolène Royal, foi ainda mais incisiva e disse que o texto em discussão é totalmente inadequado diante da urgência do tema. Em entrevista ao jornal Le Monde, ela afirmou que a demora nos processos burocráticos da ONU travam a adoção de medidas eficazes pelos chefes de Estado e de governo.

"É preciso mudar de método: colocar sobre a mesa um documento que reúna os compromissos dos países mais avançados (em matéria climática), como os da União Europeia, e pedir que os Estados que não estão de acordo se exprimam. Isso mudaria as coisas porque os países não querem aparecer como responsáveis pelo fracasso da cúpula de Paris", propôs a ministra.

Franceses não se preocupam com clima

O compromisso de Ségolène Royal não se reflete na população francesa. Uma pesquisa publicada hoje na França revela que cada vez menos franceses se interessam pelas questões climáticas. Quase um quarto da população (23,7%) não se importa com o meio ambiente e só um quinto dos entrevistados (19,6%) se preocupa de fato. Quase 20% acreditam que só vale a pena se engajar pelo meio ambiente se isso for lucrativo.

Com relação a 2014, o número de pessoas dispostas a fazer "sacrifícios" da vida cotidiana pelo meio ambiente caiu para 3,3 pontos percentuais para 41,2%. Em 2010, quase 60% dos franceses aceitavam promover mudanças cotidianas. Os homens - principalmente desempregados de baixa renda - representam 64% dos desinteressados.
 

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