Turquia/Eleições

Explosões em comício encerram campanha eleitoral na Turquia

Jovem ferido é carregado após explosões durante campanha do Partido Democrático dos Povos em Diyarbakir, em 5 de junho de 2015.
Jovem ferido é carregado após explosões durante campanha do Partido Democrático dos Povos em Diyarbakir, em 5 de junho de 2015. REUTERS/Sertac Kayar

Às vésperas das eleições na Turquia para a renovação do Parlamento, em que o partido do poder AKP corre o risco de perder a maioria absoluta, duas explosões mataram duas pessoas e feriram mais de cem durante um comício eleitoral do Partido Democrático dos Povos, da oposição curda. As causas das explosões ainda não foram identificadas.

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O drama aconteceu em pleno comício eleitoral do Partido Democrático dos Povos (HDP) em Diyarbakir, no sudeste, minutos antes do carismático Selahattin Demirtas, copresidente curdo da formação, subir no palanque para falar aos partidários. Demirtas, que anulou o comício, pediu calma durante uma entrevista ao canal de TV CNN turco, alegando que a causa das explosões ainda não foram esclarecidas.

As circunstâncias em que as explosões são difusas e o primeiro-ministro Ahmet Davutoglu declarou que ainda não foi estabelecido se foram provocadas por um acidente ou um atentado. "Mas descobriremos a causa", garantiu o premiê.

Testemunhos confirmam que houve uma primeira explosão, e alguns minutos depois, uma segunda. O mau funcionamento de um transformador elétrico foi apontado inicialmente como a causa do incidente, hipótese que foi descartada pelo ministério da Energia.

As vítimas foram atendidas no hospital de Diyarbakir, onde foi lançado um pedido de doação de sangue.

Ameaça política

As explosões aconteceram dois dias antes das eleições legislativas em que o Partido da justiça e do desenvolvimento (AKP), do presidente Recep Tayyip Erdogan, pode perder a maioria absoluta pela primeira vez, desde 2002.

A ameaça é justamente o Partido Democrático dos Povos (HDP), pró-curdo, que nasceu no fim de 2013. O projeto do partido é ultrapassar as barreiras entre curdos e turcos, tornando-se uma alternativa para a esquerda progressista e para a minoria curda.

A segurança foi reforçada nos comícios do HDP, nesta eleição marcada por tensões e violência. Na quinta-feira (4), confrontos aconteceram na cidade de Erzurum entre nacionalistas e partidários curdos de Demirtas.

O HDP foi alvo de mais de 70 agressões violentas durante a campanha eleitoral.

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