Imigração/Papa Francisco

Situação dos imigrantes clandestinos na Europa faz papa Francisco chorar

Em visita a Turim neste domingo (21), o Santo Padre convidou os italianos a serem solidários aos refugiados.
Em visita a Turim neste domingo (21), o Santo Padre convidou os italianos a serem solidários aos refugiados. REUTERS/Giorgio Perottino

O papa Francisco lamentou neste domingo (21) o destino de imigrantes que fogem da guerra e da violência em seus países de origem e enfrentam a injustiça nos países onde procuram abrigo: uma situação "de chorar", classificou. Em visita a Turim, o pontífice convidou os italianos a permanecerem solidários aos refugiados.

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"A imigração aumenta a concorrência, mas não deveríamos culpar essas pessoas que são vítimas de injustiças, desta economia do 'facilmente descartável' e de guerras. Ver esse espetáculo no qual os seres humanos são tratados como mercadorias é de chorar", disse o Santo Padre.

A imigração é um assunto ao qual o papa vem se dedicando. Em 2013, quando deixou o Vaticano pela primeira vez, ele foi até à ilha de Lampedusa para homenagear milhares de pessoas que morreram ao tentar atravessar o mar Mediterrâneo.

Imigrante italiano

A questão da imigração é especialmente sensível para o pontífice, argentino descendente de  italianos. A família Bergoglio é originária de Portacomaro, uma localidade de Piamonte no norte da Itália perto de Turim, onde ele deve encontrar hoje descendentes que ainda moram na região.

Francisco realizou sua primeira visita à cidade, na região norte da Itália para acompanhar, na catedral de São João Batista, a exposição ao público do Santo Sudário, o lençol que teria envolto o corpo de Jesus Cristo. Durante o Angelus, o papa foi muito aplaudido quando se lembrou suas origens, diante de 60 mil fiéis na praça Vittorio, no centro de Turim.

Ele também emocionou os moradores ao mencionar símbolos fortes da cultura regional, sobre os quais sua avó Rosa falava em Buenos Aires quando ele era criança.

"Não à corrupção"

A visita de Francisco também tinha como objetivo celebrar o bicentenário de São João Bosco, grande figura do catolicismo italiano e de Piamonte, "apóstolo dos jovens". O religioso se dedicou à educação das crianças desfavorecidas e fundou a congregação dos salesianos.

O Santo Padre também aproveitou a visita a Turim para abordar questões que considera importantes na Itália. "Não à corrupção, que hoje é tão frequente que parece ter se transformado em um comportamento normal, não às conexões mafiosas, às fraudes, aos subornos. Não a uma economia do desperdício", completou, antes de afirmar que atualmente se descarta rapidamente quem não produz, seguindo o modelo de "usar e largar".

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