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Imprensa Semanal

Guiné Conacri eleições explosivas ou fim da vida privada nas redes em França

Áudio 04:01
Capas dos semanários de 22/02/2020
Capas dos semanários de 22/02/2020 RFI
Por: João Matos
9 min

Abrimos esta Imprensa Semanal, com a JEUNE AFRIQUE, que faz a sua capa com a Guiné Conacry, prova de força. 

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Entre o Presidente Alpha Condé, determinado a implementar o seu projecto de Constituição e seus adversários, decididos a impedi-lo, a hora não é para o diálogo. A duas semanas de um duplo escrutínio decisivo, o semanário, JEUNE AFRIQUE, escreve que a 1 de março os eleitores são chamados a eleger novos deputados e sobretudo validar a reforma constitucional que lhes submete Alpha Condé.

Serão as consultas populares mais eléctricas do ano em África e o que preocupa são as condições da organização do escrutínio tida como sendo enviesada por uma oposição radical que se recusa a participar nele.

Assim, a JEUNE AFRIQUE, realça a possibilidade de violência, que aliás já provocou cerca de 20 mortos desde meados de outubro de 2019. Num país que conta com menos de 100 polícias por 10 mil habitantes, os dois escrutínios serão enquadrados por uma força especial de segurança do processo eleitoral. 

Por seu lado, L'EXPRESS, destaca a juventude na primeira linha na Argélia. Um ano depois do começo dos protestos, a nova geração assumiu a liderança das manifestações para obter uma verdadeira transição democrática naquele país.

"Poder ao povo" ou "Assembleia constituinte", são alguns dos slogans que todas as semanas são lançadas por milhares de jovens no centro de Argel, lugar de convergência de todas as manifestações populares. 

Tudo começou há um ano, a 22 de fevereiro, quando o povo decidiu sair da sua letargia. Nascido alguns dias antes em Cabília, a leste de Argel, o movimento de protesto contra a vontade do presidente Bouteflika concorrer, aos 83 anos, a um quinto mandato, juntou milhares de pessoas. Aos olhos do povo, Bouteflika, encarna um poder confiscado desde 1999 por ele, o exército e alguns clãs famliares.

Rapidamente, o movimento de protesto tentáculos em todo o país e são assim milhões de argelinos que desceram às ruas das cidades reclamando um Estado civil e não militar. O número de manifestantes diminuiu entretanto mas a mobilização permance impressionante, sublinha, L'EXPRESS.

Mudando de assunto o mesmo semanário, faz, no entanto, a sua capa, com a Universidade francesa transformada na nova praça forte da censura. Conferências anuladas, professores insultados que não conseguem dar as suas aulas, as faculdades francesas atravessam um mau período de liberdade académica.

Trata-se de um fenómeno preocupante com professores a alertar para o risco da autocensura e da instalação de um clima de suspeição, nota, L'EXPRESS.

Por seu lado, L'OBS, destaca em capa, a era da vulgaridade política. Golpes baixos sempre fizeram parte dos riscos do poder. Mas o escândalo Griveaux, que provocou a queda do ministro francês e porta-voz do governo é inédito por dois aspectos: primeiro o estrelato popular da política que deitou abaixo a vida privada; e depois a força das redes sociais que dá a qualquer internauta activista a capacidade de provocar grandes prejuízos.

O regime está mal preparado para enfrentar o novo mundo que quer promover.

É um acto político, foi assim que Piotr Pavlenski, activista russo justificou a difusão de selfies de sexo atribuídos a Benjamim Griveaux no seu site Pornopolitique.com.

O provocador afirma que se trata de denunciar a hipocrisia e a mentira de um candidato à câmara municipal de Paris, Griveaux, que aposta nos valores da família mas ousa enviar vídeos de carácter sexual a uma mulher que não é sua esposa, acrescenta, L'OBS.

Enfim, também, LE POINT, destaca este assunto em capa, titulando que a intimidade é o combate do século. O escândalo Griveaux, é a fronteira entre vida pública, vida privada e vida íntima que está abolida. O indivíduo vai nu e é julgado por aquilo que tem de mais secreto.

O filósofo Pascal Bruckner, numa coluna, "os justiceiros da virtude", nota que face aos novos inquisidores há que aprender a amar na sombra. Uma nova geração se levanta, ávida de moralizar a vida pública e privadada  e denunciar os compromissos vergonhosos que aceitaram os seus pais, sublinha, LE POINT.

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