Abstenção recorde numa eleição perturbada pelo COVID-19

Eleitor sai de uma assembleia de voto em Paris, num escrutínio marcado por medidas radicais para fazer face à pandemia mundial.
Eleitor sai de uma assembleia de voto em Paris, num escrutínio marcado por medidas radicais para fazer face à pandemia mundial. REUTERS/Gonzalo Fuentes

48 milhões de eleitores foram este domingo chamados às urnas para a primeira volta das eleições autárquicas, num contexto perturbado pela epidemia do coronavírus.

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As 70 mil urnas encerraram às 20h00 num escrutino que regista uma taxa histórica de abstenção estimada entre 53,5 e 56%, segundo várias sondagens.

O executivo francês está sob pressão por ter mantido a primeira volta das eleições autárquicas. O ministro da economia francês, Bruno Lemaire, anunciou que o governo vai tomar novas medidas amanhã “e aplicar todo o dinheiro que for preciso” para enfrentar esta crise. 

Este sábado, para lutar contra a propagação do novo coronavírus, o primeiro-ministro anunciou o fecho dos bares, restaurantes por tempo indeterminado. O anúncio de Edouard Phillippe foi feito num cenário incoerente em véspera de eleições autárquicas - com 47,7 milhões de eleitores esperados nas mesas de voto - num contexto em que a França passou ao terceiro nível de gestão de epidemia.

Após o anuncio do porta-vos do chefe de Estado, gerou-se um sentimento de pânico nas famílias políticas: "reforçar medidas de segurança e manter o escrutínio? Como justificar a decisão, numa altura em que a segunda volta ainda não é certa?

O presidente do partido Os Republicanos, Christian Jacob, forte apoiante da manutenção deste escrutínio, foi hoje testado positivo ao vírus, segundo acaba de anunciar o partido.

«Caso o governo já tenha decidido adiar a segunda volta, é inconsequente manter esta primeira volta", denunciou o primeiro secretário do Partido Socialista , Olivier Faure, que condenou uma « gestão errada». Seis presidentes de câmara, entre eles Xavier Bertrand e Valérie Pécresse, exigiram o adiamento das eleições.

Não existe participação mínima para validar o escrutínio. Em contrapartida, caso a segunda volta das eleições - previstas para o próximo domingo - seja adiada as eleições de hoje ficam sem efeito.

 

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