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Farmacêuticos: Os “invisíveis” na “linha da frente” contra o coronavírus

Áudio 11:57
Farmácia em Paris. Imagem de ilustração. 16 de Março de 2020.
Farmácia em Paris. Imagem de ilustração. 16 de Março de 2020. AFP - JOEL SAGET

Os farmacêuticos estão na linha da frente na luta contra o novo tipo de coronavírus, mas são geralmente esquecidos e queixam-se de não serem suficientemente reconhecidos. “Tenho medo, sim, mas as farmácias têm que estar abertas, as pessoas precisam de nós e aqui estamos”, descreve Diana Couto, farmacêutica portuguesa que trabalha na região de Paris.

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Em contacto diário com clientes, os farmacêuticos têm de redobrar os cuidados para não serem infectados. A portuguesa Diana Couto, de 32 anos, trabalha numa farmácia da região de Paris, e admite que a sua profissão está “na linha da frente” contra o novo coronavírus, mas há uma falta de reconhecimento que começa ao mais alto nível.

Mesmo o Presidente da República de França, quando falou dos profissionais de saúde, falou praticamente em todos os profissionais de saúde e os farmacêuticos são quase sempre esquecidos. Sim, sentimos uma certa falta de reconhecimento”, aponta a farmacêutica.

Diana Couto lembra que os farmacêuticos são “o primeiro contacto que os pacientes têm antes de ir ao médico”, salvo nos casos mais graves que são hospitalizados. “O que se passa é que as pessoas com aqueles sintomas mais ligeiros como uma febre ou uma dor de garganta –que são às vezes aqueles sintomas iniciais do coronavírus– vêm à farmácia. Também temos algumas receitas em que os médicos escrevem ‘suspeita de Covid-19’”, continua.

Face à consciência do risco de contagio, a farmácia onde Diana trabalha colocou barreiras de vidro no balcão de atendimento para evitar o contacto directo com os pacientes. Os farmacêuticos usam, ainda, máscaras e colocam constantemente gel hidroalcoólico.

Os primeiros produtos a desaparecer das farmácias foram as máscaras e o gel hidroalcoólico, mas este ainda vai sendo reabastecido, ao contrário das máscaras, reservadas agora unicamente para os profissionais de saúde mas mesmo assim esgotadas.

Diana Couto também assistiu à corrida ao plaquenil, que contém a cloroquina que tem sido testada como possível tratamento para a Covid-19. Também o medicamento plaquenil “está em ruptura ao nível do laboratório”. Depois, os farmacêuticos só o podem dispensar se houver receita médica com indicação de tratamento para a poliartrite reumatóide e lúpus. “O uso da cloroquina ou hidroxicloroquina para o covid-19 é para o meio hospitalar e reservado a alguns casos mais graves”, relembra a farmacêutica, apontando que a eficácia do tratamento para o novo coronavírus não foi ainda completamente comprovada pela comunidade cientifica e que pode haver efeitos indesejáveis, por exemplo, aos níveis cardiovascular e gástrico, em caso de sobredosagem.

Num país em câmara lenta, Diana Couto continua a trabalhar para garantir necessidades básicas da população. “Tenho medo, sim, mas as farmácias têm que estar abertas, as pessoas precisam de nós e aqui estamos.” 

Diana Couto, Farmacêutica

 

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