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Artes

Leilões de arte online em tempos de confinamento

Áudio 10:27
Leilão online da FauveParis.
Leilão online da FauveParis. © FauveParis
Por: Carina Branco
25 min

Com as medidas de confinamento um pouco por todo o mundo, os hábitos de consumo cultural estão a adaptar-se às mudanças. Os museus expõem as suas colecções online, os teatros exibem peças nas suas páginas internet, há festivais de música via Facebook e até há leilões de arte “virtuais”. “Virtuais” só mesmo por uma questão de linguagem porque “os resultados  são bem reais”. A RFI falou com Cédric Melado, co-fundador da leiloeira parisiense FauveParis.

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A leiloeira parisiense FauveParis nasceu em 2014 como uma “start-up” e quis descomplexar o mercado da arte. Galeria de exposições, café e restaurante, jardim interior… O objectivo era tirar de casa pessoas que nunca iam a leilões e fazê-las descobrir um mundo novo com um copo na mão e um catálogo de obras na outra, enquanto viam os lotes em exposição…

O confinamento obrigou a FauveParis a fechar, as pessoas a ficarem em casa, mas os leilões continuam online. Um desafio para Cédric Melado, co-fundador da leiloeira, que iniciou a nova aventura através da internet.

Tínhamos um leilão preparado, a sala de exposições já estava pronta, todos os vendedores estavam prontos, já tínhamos bastante interesse neste leilão. Então, pensámos de que maneira poderíamos continuar, sendo que já estava quase tudo pronto. A única coisa que faltava era a técnica”, conta.

A técnica estava à distância de alguns cliques. “Para eu estar em contacto com o resto da equipa usamos o Zoom e as pessoas que seguem o leilão usam a plataforma habitual Drouot Live que é um sistema já usado pelos leiloeiros para que toda a gente possa seguir os leilões na internet.

O resultado superou as expectativas. No primeiro leilão, a 21 de Março, na primeira semana do confinamento em França, houve “duas a três vezes mais pessoas conectadas na internet do que é habitual” e “foi um bom negócio”.

Vendemos mais de 80 % dos lotes, tivemos um desenho de Frantisek Kupka que estava avaliado em 15.000 euros e acabou em 35.000 euros. Tínhamos várias peças em que tivemos mesmo muitas licitações e pontos em que tivemos quatro ou cinco pessoas a licitar ao mesmo tempo ao telefone por videoconferência e outras pessoas na internet”, descreve.

Seguiram-se dois outros leilões, a 28 de Março e a 4 de Abril, o primeiro dedicado à arte africana, arte pré-colombiana e arqueologia, e o segundo de pintura orientalista, essencialmente em torno do Líbano, no século XIX.

O próximo leilão é a 11 de Abril e vai ser de arte moderna, arte contemporânea e design. Entre as 68 obras estão peças de Le Corbusier, Jean Prouvé, Charlotte Perriand, Sonia Delaunay, Frantisek Kupka, Bram Van Velde , Salvador Dalí, Man Ray, Mel Ramos e Fernando Da Costa, entre muitos outros. Na escultura em metal do pintor de origem portuguesa Da Costa, pode ler-se, nas costas, a frase: “Um dia quem sabe esta chave será a chave da nossa felicidade ? Com todo meus sentimentos”.

Para já, “a chave” passa pelos leilões online, mas quando terminar o confinamento o objectivo é voltar a abrir portas e encher a sala da leiloeira em Paris. “Gostamos de ter o contacto com as pessoas. Temos um espaço bastante grande mesmo no centro de Paris, com um café, com um restaurante. Eu gosto de ter as pessoas a licitar à minha frente”, sublinha Cédric Melado.

O leiloeiro lusodescendente espera que o confinamento crie “saudades da arte ao vivo" que prevaleçam sobre os novos hábitos de consumo cultural online ganhos durante as semanas de isolamento social.

As pessoas vão ficar com saudades de poder ter este contacto com a arte. As pessoas estão tão aborrecidas agora com esta situação que quando se voltar ao normal só vão querer ver a cultura ao vivo”, conclui.

Entrevista Cédric Melado

 

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