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FRANÇA

Levantamento do confinamento em França confirmado a partir de 11 de Maio

O primeiro-ministro francês, Edouard Philippe, anuncia às 14h TMG as modalidades do plano de levantamento do confinamento a partir de segunda-feira, 11 de Maio de 2020.
O primeiro-ministro francês, Edouard Philippe, anuncia às 14h TMG as modalidades do plano de levantamento do confinamento a partir de segunda-feira, 11 de Maio de 2020. © captura de ecrã
Texto por: Miguel Martins
5 min

O primeiro-ministro francês, Edouard Philippe, confirmou nesta quinta-feira, 7 de Maio, o levantamento do confinamento em toda a França a partir da segunda-feira 11 de Maio. O país vive em confinamento desde 17 de Março. Porém alguns distritos mantêm-se num dispositivo vermelho, áreas onde o vírus circula activamente e os hospitais continuam com uma forte saturação.

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A região de Paris, onde o vírus não decresceu como previsto, e a ilha de Mayottte terão uma vigilância acrescida por serem áreas com o sistema hospitalar ainda sobrecarregado devido ao elevado número de casos.

A abertura de certas escolas e dos parques ou jardins nessas duas áreas não será permitida. As escolas primárias também não reabrirão.

Edouard Philippe aconselhou que os idosos ou pessoas com fragilidades de saúde destas zonas se protejam, mantendo-se sobretudo em casa e saiam só para tarefas absolutamente essenciais.

O primeiro-ministro alertou para a necessidade de evitar com que os transportes da região parisiense se tornem num vector de circulação do vírus.

Daí ser necessário um atestado da entidade empregadora para os utentes dos transportes parisienses para que estes possam viajar, evitando as horas de ponta, nomeadamente.

O chefe do executivo apelou ainda ao respeito do distanciamento social por forma a encarar o vírus que continua a circular.

O ministro da saúde, Olivier Véran, apelou a uma "vigilância extrema" na região de Paris apelando a que, na medida do possível, as empresas continuem a recorrer, sobretudo ao teletrabalho.

Véran afirmou, porém, que o país tem agora a capacidade de fazer um rastreio massivo do vírus, através de testes que, até ao momento, têm sido feitos em número bastante reduzido.

O governante detalhou a forma de alertar os médicos em caso de sintomas sem demoras ou, ainda, a forma como serão isolados os doentes.

100 milhões de máscaras serão distribuídas na próxima semana para o pessoal de saúde e doentes.

O ministro apelou a que os doentes voltem a se deslocar ao médico, sempre que necessário, já que muitos dentre eles, nesta fase de pandemia, optaram por adiar as respectivas consultas.

Por seu lado o ministro da educação Jean-Michel Blanquer pormenorizou a forma como as escolas vão reabrir, em várias fases.

Dia 11 serão os professores a retomar o trabalho, no dia seguinte alguns alunos voltar-se-ão a sentar nos bancos da escola.

80 a 85% das escolas vão reabrir e acolher um pouco mais de um milhão de alunos.

O ministro admite que esta "retoma" não será feita, como é costume. Uma atenção especial será dedicada a criar a distância devida entre alunos e professores, com a pandemia a continuar activa.

A ministra da transição ecológica solidária, Elisabeth Borne, admite que em Paris mais de 75% dos transportes vão circular a partir de 11 de Maio.

Os comboios só circularão com metade da capacidade de passageiros, a ausência de máscara poderá ser alvo de uma multa de 135 euros.

Os franceses poder-se-ão deslocar sem autorização, com excepção da ilha de Mayotte onde o confinamento se mantém, confirmou Christophe Castaner, ministro da administração interna.

Os cidadãos podem deslocar-se até 100 kms do seu lugar de residência.

Mediante a apresentação de uma nova autorização de deslocação escrita serão tolerados casos excepcionais para deslocações maiores, por motivos familiares e ou profissionais imperativos.

As fronteiras manter-se-ão fechadas de momento.

O ministro da economia, Bruno Le Maire, confirmou a reabertura das lojas, com excepção, por ora, dos estabelecimentos culturais, desportivos, restaurantes ou cafés.

400 000 empresas vão reabrir a partir de segunda-feira.

No final de Maio o governo vai avaliar o desempenho após o levantamento do confinamento, perspectivando uma possível abertura, ainda maior dos recintos.

Caso os números forem maus o executivo poderá equacionar a tomar as medidas necessárias.

O executivo francês continuará a fazer, de três em três semanas, a avaliação da situação por forma a reajustar as variantes.

Nos distritos que se manterão com a cor verde poderão contar com a reabertura de cafés, restaurantes e das escolas secundárias daqui a três semanas.

Por ora todos os distritos de quatro províncias do nordeste da França ficam com a cor vermelha (Hauts de France, Île de France, onde se encontra Paris, Grand Est e Bourgogne Franche Comté).

Ouça aqui um extracto das declarações de Edouard Philippe, primeiro-ministro francês.

Edouard Philippe, primeiro-ministro francês

"Vamos começar na próxima segunda-feira um processo muito progressivo que, no mínimo, durará várias semanas, e que permitirá que o país saia de forma lenta, mas segura, da situação do confinamento que vivemos em França, como aliás em grande parte dos países do mundo desde 17 de Março.

A boa notícia é que estamos em condições de validar o levantamento do confinamento no conjunto do território metropolitano.

A notícia menos boa é a de que certos distritos têm resultados não tão bons como esperado.

O país está dividido em dois.

Na maior parte conseguimos travar a vaga da epidemia: os hospitais já não estão saturados e temos margem para fazer testes. São os distritos verdes.

Se eles se mantiverem no verde no início de Junho poderemos equacionar uma nova etapa do levantamento do confinamento.

Noutros distritos o vírus circula ainda de forma activa, ou os hospitais estão ainda saturados...

São os distritos vermelhos : o levantamento do confinamento é possível com restrições sem abertura de escolas primárias nem de jardins ou parques.

Nestas áreas vermelhas há que fazer referência a dois casos específicos, a ilha de Mayotte e a região de Paris."

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