#França/Ensino

França: Apenas 22% dos alunos puderam regressar às aulas

Distâncias de segurança no Institut Sainte-Genevieve, em Paris. 12 de Maio de 2010.
Distâncias de segurança no Institut Sainte-Genevieve, em Paris. 12 de Maio de 2010. AFP - PHILIPPE LOPEZ

O regresso às aulas em França estava anunciado para a semana de 11 de Maio. Um mês depois, apenas 22% dos alunos puderam voltar para as aulas. Em causa, o protocolo sanitário considerado pelos professores como demasiado rigoroso.

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Apenas 22% dos alunos voltaram às aulas, em França, depois de dois meses de confinamento. Em causa, o protocolo sanitário considerado pelos professores como demasiado rigoroso e que agora é bastante questionado.

Afinal, contrariamente ao que tinha sido anunciado - para justificar o fecho das escolas dias antes do confinamento - as crianças não são vectores principais de contagio. Pelo contrário. Um estudo do pediatra Robert Cohen, publicado a 3 de Junho, revela que em 90% dos casos são os adultos que contaminam as crianças.

Depois do estudo, o ministro da Educação anunciou estar disposto a aligeirar as regras do protocolo sanitário nas escolas, apesar de ter dito que este não seria alterado antes de Setembro. De notar que as crianças têm de estar a um metro umas das outras nas salas de aula, nos corredores, nos recreios, não há jogos de bola no recreio e foram eliminados os espaços de brinquedos em comum nas salas de aula.

Os professores denunciam regras demasiado rigorosas e impossíveis de aplicar, usando esse argumento para justificar o reduzido número de alunos aceite para regressar às aulas (apenas os que são considerados como prioritários).

No jornal Le Parisien desta segunda-feira, Francette Popineau, secretário-geral do sindicato dos professores do ensino primário Snuipp-Fsu, diz que um aligeirar das regras seria um “alívio”. Por outro lado, a "Confédération des petites et moyennes entreprises", que reúne as pequenas e médias empresas francesas, alerta que muitos trabalhadores estão obrigados a ficar em "lay-off" para tomarem conta dos filhos, algo que representa um peso para as empresas. Além disso, a confederação alerta para a dificuldade de estar em tele-trabalho quando há crianças em casa e quando os pais também têm de dar aulas.

Ao nível pedagógico, numa tribuna publicada a 5 de Junho no diário Libération, os investigadores Camille Peugny e Philippe Coulangeon alertam que “a segunda vaga já chegou e diz respeito ao colapso do sistema de ensino publico francês”.

Depois de mais de cinco meses sem aulas, a ‘rentrée’ de Setembro vai ser caótica num contexto de crise social e escolar que atinge, em primeiro lugar, os territórios e as populações mais frágeis”, pode ler-se na tribuna.

 

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