França/Confrontos

França: Dijon palco de confrontos inter-étnicos

Pela quarta noite consecutiva, esta segunda-feira 15 de junho, a cidade de Dijon foi palco de confrontos inter-comunitários, opondo as comunidades chechena e magrebina.
Pela quarta noite consecutiva, esta segunda-feira 15 de junho, a cidade de Dijon foi palco de confrontos inter-comunitários, opondo as comunidades chechena e magrebina. AFP - PHILIPPE DESMAZES

O governo francês prometeu esta terça-feira "firmeza" na resposta aos graves incidentes que durante 4 dias consecutivos abalaram Dijon, no leste da França, palco de confrontos inter-comunitários entre as comunidades chechena e de origem magrebina.

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Vários políticos franceses expressaram indignação nesta terça-feira (16/06) depois da normalmente tranquila cidade de Dijon, no leste da França, ter sido palco durante quatro noites consecutivas de tumultos, relacionados com um suposto ajuste de contas por membros da comunidade chechena, que resultaram em confrontos inter-étnicos.

Segundo a polícia, os incidentes teriam sido provocados por uma agressão na passada quarta-feira (10/06) contra um adolescente checheno de 16 anos, que levou outros membros da comunidade a realizar ataques de represálias, sobretudo no bairro de Grésilles, onde reside uma grande comunidade de pessoas de origem magrebina.

Na segunda-feira (15/06) à noite, dezenas de homens encapuzados e armados reuniram-se em Grésilles, dispararam para o ar, destruíram câmaras de vigilância, incendiaram caixotes de lixo e veículos, agrediram uma equipa de jornalistas locais e um condutor, informou a polícia à AFP.

 A polícia demorou uma hora e meia para controlar a violência, que terminou com a detenção de quatro pessoas, mas desta vez a violência não envolveu chechenos.

"Ver jovens brandindo armas, 100 pessoas brigando, agredindo um ao outro é inaceitável", disse o ministro da Agricultura, Didier Guillaume, ao canal Cnews.

"Desarmar as forças da ordem é uma ideia barroca, que não pode prosperar" disse hoje o primeiro-ministroÉdouard Philippe, referindo-se à "realidade insopurtável" das tensões intercomunitárias em Dijon, à laia de resposta ao líder da esquerda radical Jean-Luc Mélenchon que defende uma "polícia organizada, disciplinada, obedecedora ao Estado republicano e tão desarmada quanto possível, para que inspire respeito e não medo".

Laurent Nuñez,  secretário de Estado do interior deslocou-se esta terça-feira (16/06) a Dijon, prometeu uma resposta extremamente firme a estes incidentes e anunciou o reforço do dispositivo policial e militar, com o envio ainda hoje para o terreno de mais 150 agentes.

"O nosso país está afundando no caos! Gangues estão travando uma guerra étnica com armas automáticas nas mãos", tuitou a líder da extrema direita Marine Le Pen, que ainda hoje se desloca a Dijon.

Não há números precisos sobre o número de chechenos que vivem em França, sobretudo na região parisiense e em Nice, pois estão incluídos nos portadores de passaportes russos.

A Chechénia é uma república russa predominantemente muçulmana no norte do Cáucaso, onde duas guerras nos anos 90 provocaram uma onda de emigração, e muitos chechenos se refugiaram em vários países da Europa Ocidental.

Uma nova vaga de chechenos partiu para o exílio nos últimos anos devido a divergências com o líder pró-Kremlin Ramzan Kadyrov, acusado por activistas de direitos humanos de múltiplas violações.

 

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