França

Greve nos hospitais em França

Profissionais de saúde manifestam em França protestando contra as condições de trabalho e pedindo melhorias salariais.
Profissionais de saúde manifestam em França protestando contra as condições de trabalho e pedindo melhorias salariais. © AFP - ANNE-CHRISTINE POUJOULAT

Esta terça-feira vai ficar marcada por manifestações em toda a França e greve nos hospitais com a intenção de protestar contra a falta de meios, visível durante a pandemia de Covid-19, e uma revalorização dos salários.

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Desta vez acabou-se ‘cessar-fogo’ entre Governo e os profissionais de saúde. A pandemia de Covid-19 está controlada em França, ou pelo menos o número de infectados e de mortos tem atingido níveis baixos desde o confinamento que foi proclamado a 17 de Março. O novo coronavírus fez até agora 29 436 mortos em território francês, 29 nas últimas 24 horas, e infectou 157 372 pessoas, 152 nas últimas 24 horas.

Como a situação está mais calma nos hospitais, e que se atingiu a última fase do confinamento visto que todo o território gaulês está em zona verde, os profissionais de saúde decidiram sair às ruas para protestar contra as condições de trabalho e pedir melhorias salariais.

Uma manifestação autorizada pelo chefe da polícia de Paris parte pelas 14h30, hora local, do Ministério da saúde até a Assembleia Nacional onde deverá terminar por volta das 18h, hora local.

Promessas por cumprir?

Os profissionais de saúde ouviram durante toda a crise sanitária o Governo a prometer mudanças nos hospitais e uma melhoria das condições de trabalho, no entanto até agora nada mudou.

Por enquanto o Governo de Edouard Philippe está a pedir a opinião dos profissionais de saúde, o dito ‘plano Ségur’, antes de tomar qualquer decisão. Uma demora que não agrada aos manifestantes que desejam um gesto forte das autoridades e do ministro da saúde, Olivier Véran.

O primeiro passo seria um aumento dos salários de 300 euros por mês para as enfermeiras ou outros profissionais de saúde.

Os outros pontos importantes a referir nestas manifestações serão o reforço do investimento nos hospitais, que certos estabelecimentos não encerrem, ou até que serviços ou camas disponíveis não sejam diminuídos. Isto sem esquecer a abertura de certos estabelecimentos para responder às necessidades sanitárias.

Durante a crise sanitária os profissionais de saúde mostraram-se preocupados com a falta de material, eles que se encontravam na primeira linha perante o novo coronavírus, sendo que alguns médicos, enfermeiras e outros profissionais nos hospitais acabaram por falecer devido ao vírus.

Falta de máscaras, de luvas, de gel hidroalcoólico, ou a escassez destes elementos essenciais, foram bem visíveis, isto para além da falta de ventiladores e de camas para receber doentes durante o pico da epidemia, o que levou a França a ‘exportar’ pessoas infectadas para países vizinhos, como a Alemanha, ou até a transferências internas entre províncias em situação de colapso e outras em que a situação estava controlada.

Uma resposta do Governo é esperada pelos profissionais de saúde. François Salachas, neurologista no hospital ‘Pitié-Salpêtrière’ em Paris, lembrou que segundo a OCDE - Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico Económico -, os salários dos profissionais de saúde em França ocupam, segundo a média, o 28° lugar mundial.

Recorde-se que o durante a crise sanitária, pelas 20h, todos os dias, uma parte da população francesa saía às janelas para aplaudir os profissionais de saúde, no entanto desde o desconfinamento isso já não ocorre.

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