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#Carlos Ghosn/Renault-Nissan

Carlos Ghosn acusa a França de o ter abandonado

Carlos Ghosn, antigo director da Renault-Nissan. 8 de Janeiro de 2020.
Carlos Ghosn, antigo director da Renault-Nissan. 8 de Janeiro de 2020. AFP - -
Texto por: RFI
3 min

Depois de ter fugido do Japão, onde era acusado de irregularidades financeiras, o ex-presidente da Renault-Nissan, Carlos Ghosn, falhou uma nova audiência com a justiça, desta vez em França. Em entrevista ao jornal Le Parisien, o empresário falou em “obstáculo técnico” e afirmou sentir-se abandonado pela França.

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Refugiado no Líbano, Carlos Ghosn defendeu, numa entrevista ao jornal Le Parisien, que houve um "obstáculo técnico" que o impediu de ir ao Tribunal de Nanterre, nos arredores de Paris, onde teria sido convocado a 13 de Julho. O empresário sublinhou que quer ter a certeza que a sua segurança em viagem está garantida já que o Japão emitiu um mandado de detenção internacional. Carlos Ghosn acrescentou que o seu passaporte está nas mãos do procurador-geral do Líbano e que para chegar a França teria de passar por outros países, pelo que, sugeriu responder às questões da justiça francesa em Beirute.

A entrevista exclusiva ao diário francês serve também para anunciar que ele está a preparar um "livro de revelações" e que a sua estratégia de defesa também vai ser mediática. O empresário de origem franco-líbano-brasileira  afirmou sentir-se abandonado pela França, disse nunca ter escondido nada nem ao Conselho de Administração da Renault-Nissan nem ao Estado francês e reiterou que a sua queda se deve à “obsessão francesa de uma fusão” Renault-Nissan que não era desejada pela Nissan.

Carlos Ghosn acusou, ainda, a actual administração da Renault de ter "resultados lamentáveis" e defendeu que transformou a empresa na líder mundial do ramo automóvel em 2017 e 2018.

Questionado sobre os seus gastos luxuosos, sobre uma polémica festa no Palácio de Versalhes, sobre uma residência fiscal na Holanda e sobre a contratação da irmã pela Nissan no Brasil, Ghosn acusou a empresa nipónica de ter contratado três agências de comunicação francesas para manchar a sua imagem. Além disso, negou novamente as acusações de irregularidades financeiras.

Carlos Ghosn foi preso em Tóquio, em finais de 2018, por alegadas irregularidades financeiras. Colocado várias vezes em prisão domiciliária, o gestor fugiu do Japão em Dezembro do ano passado, meses antes de novo julgamento. Desde aí, está refugiado no Líbano, que não tem acordo de extradição com o Japão.

 

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