França

Bordéus acabou com a sua árvore de Natal !

O novo edil de Bordéus, o ecologista Pierre Hurmic, aqui em 21 de Julho de 2020.
O novo edil de Bordéus, o ecologista Pierre Hurmic, aqui em 21 de Julho de 2020. GUILLAUME SOUVANT / AFP

Na cidade francesa de Bordéus o autarca ecologista Pierre Hurmic disse querer acabar com a tradicional Árvore de Natal na praça Pey Berland, junto à Câmara municipal. O autarca disse que não quer mais árvores mortas arrancadas da floresta nas praças das cidades.

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A Árvore de Natal iluminada do centro de Bordéus tem habitualmente entre 15 a 20 metros de altura e adorna anualmente este eixo central da cidade, entre a Sé catedral e os Paços do Concelho.

A autarquia é controlada pelos "verdes" de forma inédita desde as últimas eleições de 28 de Junho passado já que Pierre Hurmic conseguiu por cobro a mais de quatro décadas de gestão da direita.

O novo edil alega que os custos da referida Árvore se cifravam em quase 60 000 euros, com outros gastos anexos; travessia do país a bordo de um camião numa coluna especial, iluminação de 10 kms de luzes de Natal, 4 noites de instalação com 12 agentes mobilizados em horários nocturnos para o efeito, vandalismo frequente obrigando a gastos com a vigilância, nomeadamente.

Ainda assim o autarca garante que as árvores plantadas na praça estarão iluminadas e as economias obtidas reverteriam a favor de associações que tratariam da animação do recinto.

As reacções a esta decisão divulgada nesta quinta-feira foram muitas.

Fabien Robert, dos centristas do Modem, antigo número dois da autarquia, apelou à realização de um abaixo assinado para que Bordéus mantenha a sua Árvore natalícia.

Enquanto isso a Ministra delegada da cidadania, Marlène Schiappa, afirmou que os autarcas ecologistas franceses eram "desmancha prazeres", ao proibirem "um pouco de alegria ou de festa".

Xavier Bertrand, político de direita que dirige a província Hauts de France (no Norte), afirmou no Tweeter que "a Árvore de Natal, a Volta à França e todas estas tradições que nos unem serão sempre o cimento de uma sociedade.

A declaração dominou a agenda política de hoje, como comenta Raphaël Lucas, professor catedrático da Universidade de Bordéus.

Ele alega que são muitas as reacções negativas dos cidadãos da cidade de Bordéus que, aspiravam a um pouco de convívio após o período difícil do confinamento e isto, para além do aspecto religioso, cristão.

Uma decisão que, a seu ver, seria "nociva", "uma repressão inútil que choca uma tradição popular" e que poucos benefícios traria para o presidente da câmara, Pierre Hurmic.

Raphaël Lucas descreve-a como sendo de um "radicalismo, uma iniciativa acho eu desacertada e desastrada".

Raphaël Lucas, professor catedrático da Universidade de Bordéus

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