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França

Antigo Presidente francês Nicolas Sarkozy perante os juízes

O ex-presidente francês Nicolas Sarkozy à chegada ao tribunal nesta segunda-feira, 30 de novembro de 2020, em Paris.
O ex-presidente francês Nicolas Sarkozy à chegada ao tribunal nesta segunda-feira, 30 de novembro de 2020, em Paris. AP - Christophe Ena
Texto por: Liliana Henriques
5 min

Depois de um primeiro adiamento na semana passada, Nicolas Sarkozy que foi Presidente da França entre 2007 e 2012, compareceu hoje perante a justiça no âmbito do julgamento de um dos casos de corrupção pelo qual se encontra no banco dos réus.

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No primeiro dia de audiência, o antigo inquilino do palácio do Eliseu denunciou as "calúnias" de que diz ser alvo há seis anos nos casos envolvendo o seu nome. Hoje, o antigo Presidente Sarkozy compareceu perante os juízes juntamente com dois co-réus, o seu advogado Thierry Herzog assim como um antigo alto magistrado Gilbert Azibert, no âmbito do chamado caso das "escutas".

O antigo Presidente que se retirou oficialmente da política em 2016, é suspeito com a cumplicidade do seu advogado de ter procurado obter informações cobertas pelo segredo de justiça por parte do magistrado Gilbert Azibert, então em posto no tribunal de recurso, relativamente ao "caso Bettencourt", um caso de financiamento oculto no âmbito do qual o antigo chefe de Estado acabou por ser ilibado em 2013.

Segundo a acusação, o ex-Presidente teria, a troco destas informações, prometido ajudar o referido magistrado a obter um cargo prestigioso no Mónaco, cargo que ele acabou por nunca alcançar.

Neste caso em que é concretamente acusado de corrupção e tráfico de influência, o antigo Presidente francês enfrenta o risco de ser condenado a uma pena de 10 anos de prisão e um milhão de Euros de multa. Os seus co-acusados, enfrentam para além destas acusações, a de terem violado o segredo profissional.

A advogada de Nicolas Sarkozy reclamou hoje a nulidade de todo o processo que, a seu ver, é manchado de "numerosas derivas" e "repetidas graves violações". A acusação descobriu em 2014, altura em que estava a investigar o alegado financiamento oculto pela Líbia da campanha presidencial de Sarkozy em 2007, que o antigo Presidente mantinha uma linha telefónica "oficiosa" com o seu advogado Thierry Herzog. Foi através das escutas das suas trocas nesta linha "secreta" que a justiça recolheu elementos para colocar hoje o antigo chefe de Estado no banco dos réus, um procedimento repudiado pela sua defesa.

Esta audiência de um antigo Presidente é inédita. Apesar de já antes disto, o antigo chefe de Estado francês Jacques Chirac ter sido responsabilizado por um caso que dizia respeito às suas anteriores funções enquanto autarca de Paris, ele nunca teve de enfrentar os juízes, tendo sido na altura invocados motivos de saúde.

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