#Covid-19/França

Macron responde às críticas dos franceses sobre gestão sanitária

O Presidente francês, Emmanuel Macron. Saclay. 21 de Janeiro de 2021.
O Presidente francês, Emmanuel Macron. Saclay. 21 de Janeiro de 2021. AFP - YOAN VALAT
Texto por: Carina Branco com AFP
4 min

O Presidente francês, Emmanuel Macron, chamou, esta quinta-feira, aos cidadãos franceses de “66 milhões de procuradores” que estão numa “busca incessante do erro”, em resposta às críticas sobre a gestão da pandemia pelo Governo. As reacções políticas não tardaram.

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Numa alusão às várias críticas sobre a gestão da crise sanitária pelo Governo, o Presidente francês, Emmanuel Macron, lamentou “a busca incessante do erro” em França que se tornou num país de “66 milhões de procuradores”.

O chefe de Estado disse que “aquele que não comete erros é aquele que não procura, que não faz nada ou que mecanicamente faz a mesma coisa que na véspera”.

As declarações foram feitas esta quinta-feira, em Saclay, depois do anúncio de um plano de investimento nacional para as tecnologias quânticas. Elogiando o plano de 1,8 mil milhões de euros, Emmanuel Macron considerou que “esta estratégia comporta uma parte de risco e de erro”. “Digo-o porque o que rima com a desconfiança francesa é também esta espécie de busca incessante do erro. Quer dizer que nos tornámos numa nação de 66 milhões de procuradores. Não é assim que enfrentamos a crise e andamos para a frente”, declarou.

Precisamos de ter mulheres e homens que investigam, que têm a capacidade de inventar aquilo que ainda não é perceptível e de se enganar para poder corrigir o mais rápido possível e melhorar. É isso que faz uma grande nação”, acrescentou o Presidente, precisando que “são os erros que ensinam"..

Emmanuel Macron disse, ainda, que “um dos problemas de França é a desconfiança” que está “largamente documentada por muitos investigadores”.

Emmanuel Macron, presidente francês "66 milhões de procuradores"

Eu acredito que conseguimos através da confiança”, continuou, insistindo na necessidade de “continuar sempre a olhar para o horizonte e preparar o amanhã” porque “senão sofrem-se novas crises”.

As reacções dos responsáveis políticos não tardaram. No Twitter, a líder da extrema-direita, Marine Le Pen escreveu: “Vírus ou não, há uma coisa que não muda que é a propensão de Emmanuel Macron de vilipendiar os franceses.”

O deputado de LFI Adrien Quatennens considerou que “Macron, para quem faltava um rei em França, tem um grande problema com a democracia”, enquanto o dirigente comunista Fabien Roussel ironizou que Macron “deve mudar de trabalho!”.

 Para o antigo candidato socialista às presidenciais, Benoît Hamon, "se os franceses reclamam não será também por terem sido testemunhas de um poder que não reconhece erro nenhum?”.

No partido Os Republicanos, a eurodeputada Nadine Morano julgou “incríveis” as declarações do chefe de Estado, enquanto o deputado Eric Ciotti considerou que “decididamente o Presidente Macron tem um problema com o povo”.

Desde o início da crise sanitária, o executivo francês foi muito criticado pela sua gestão da pandemia, nomeadamente sobre as máscaras, os teste e agora a campanha de vacinação vista como demasiado lenta.

 

 

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