França/Covid

França: Restaurantes desesperados tentam abrir à força

Guarda francês controla um cliente durante o almoço no bar e restaurante "La Bohème" em Ligescourt, em França, um estabelecimento que decidiu abrir as portas, não obstante as medidas sanitárias que obrigaram ao encerramento desde Outubro de 2020.
Guarda francês controla um cliente durante o almoço no bar e restaurante "La Bohème" em Ligescourt, em França, um estabelecimento que decidiu abrir as portas, não obstante as medidas sanitárias que obrigaram ao encerramento desde Outubro de 2020. REUTERS - PASCAL ROSSIGNOL
Texto por: Miguel Martins com AFP
7 min

Em França foram vários os restaurantes a tentar abrir hoje, não obstante terem sido encerrados pelas autoridades desde Outubro devido à pandemia de Covid-19, exceptuando em regime de take away. O governo promete retirar as ajudas por um mês a todo o restaurante que tente abrir e, caso a situação se volte a repetir, o estabelecimento perde toda e qualquer ajuda governamental.

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Só o take away ou as entregas, em regime de "click and collect" são autorizados por ora em França devido ao agravamento da pandemia de Covid-19.

A classe está desesperada, sem perspectivas reais quanto à reabertura dos restaurantes que já tinham estado encerrados largos meses, no primeiro confinamento, desde Março de 2020.

Um colectivo intitulado "Restons ouverts" (Fiquemos abertos) foi constituído. O respectivo porta-voz, Stéphane Manigold, apelou à abertura dos restaurantes, mas sem desrespeitar as regras.

"Sentimos a falta dos clientes, mas não devemos apelar à insurreição porque senão é a morte garantida", afirmou o dirigente.

Ainda assim foram vários os restaurantes a tentar abrir em distritos tão diversos como o Doubs, no Leste, em Ariège ou Bouches du Rhône, no Sul, ou em Somme e Pas de Calais, no Norte, na ilha da Córsega, ou em Lyon, no Centro Leste.

Em Ligescourt Kathia Boucher, a proprietária do restaurante "La Bohème", abriu entre as 11 e as 17 horas em regime propondo um prato único.

As forças da ordem não a obrigaram a fechar, mas tomou nota da identificação de cada um dos clientes prometendo uma multa de 135 euros e ameaçando a proprietária com uma multa e uma medida de encerramento administrativo, segundo ela confidenciou à agência AFP, acrescentando não lamentar de todo a iniciativa.

Michael Morais é sócio gerente de um restaurante em Paris, um estabelecimento em regime de take away, que passou a funcionar sete dias por semana.

"Percebo que a gente está um pouco desiludida porque os restaurantes estão fechados, é complicado fazer o nosso trabalho correctamente. O take away não é a nossa grande força", acrescenta Morais lembrando que o lay off e as ajudas do governo não cobrem todos os encargos.

Michael Morais, sócio gerente de restaurante em Paris

Por seu lado José Duarte, ligado à direcção da rede de restaurantes Pedra Alta em França descarta abrir o restaurante neste momento, antes de serem levantadas as restrições impostas pelo governo francês devido à pandemia, e descreve o cenário difícil com que se debate a classe.

José Duarte, da direcção da cadeia de restaurantes Pedra Alta em França

"É um pouco normal que haja tensões, de um lado ou do outro. A brutalidade da situação impõe-se a toda a gente. Do nosso lado não vamos entrar neste tipo de comportamento."

Questionado sobre se tentariam abrir o restaurante José Duarte foi categórico dizendo que não o fariam por "a situação [de saúde] ainda não está sob controlo. Temos que estar atentos e esperar que as coisas se resolvam para poder abrir novamente em boas condições, as condições actuais não permitem uma abertura protegendo os funcionários e protegendo os clientes. 

Todas as equipas operacionais, cozinheiros, pessoal de sala estão todas em lay off. É isso que é muito complicado, efectivamente, tinhamos uma data prevista para 20 de Janeiro. Já passou e não temos nenhuma perspectiva antes de 31 de Março, por enquanto."

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