Futebol

Futebol: Divórcio entre o Marselha e André Villas-Boas

André Villas-Boas, treinador português.
André Villas-Boas, treinador português. © NICOLAS TUCAT AFP/Archives
Texto por: Marco Martins
10 min

A equipa do Marselha continua num mau momento. André Villas-Boas, treinador português do clube do Sul da França, apresentou nesta terça-feira 2 de Fevereiro a sua demissão do cargo, isto apenas três dias após os incidentes no centro de treinos do clube que já tinha abalado a instituição marselhesa.

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Qual será o futuro do Marselha? Há menos de um ano, o clube francês acabou no segundo lugar da Liga Francesa da primeira divisão de futebol, atrás do Paris Saint-Germain, e ganhava o direito de participar na Liga dos Campeões europeus, algo que não acontecia há anos.

No entanto, desde o início desta temporada 2020/2021, os resultados não têm sido os melhores. Os marselheses foram eliminados da Liga dos Campeões, tendo terminado no quarto e último lugar no agrupamento com apenas um triunfo e cinco derrotas. No campeonato francês o clube ocupa actualmente o 9° lugar com 32 pontos, a 16 pontos do líder, o Lille.

Perante esta situação, e com o mercado de transferências aberto, o clube decidiu fazer alguns movimentos: saídas dos médios Kevin Strootman e Morgan Sanson, e dos avançados Marley Aké, Nemanja Radonjic e Konstantinos Mitroglou. Chegadas do defesa Pol Lirola, dos médios Olivier Ntcham e Franco Tongya, e do avançado Arkadiusz Milik.

No entanto estes movimentos não foram do agrado de André Villas-Boas que em conferência de imprensa de antevisão do jogo frente ao Lens, na quarta-feira 3 de Fevereiro, anunciou que apresentou a sua demissão do cargo de técnico da equipa.

André Villas-Boas justificou a sua decisão em conferência de imprensa: «O mercado de transferências ficou encerrado na segunda-feira com a chegada de um novo jogador (ndr: o médio francês Olivier Ntcham). Foi uma decisão que eu não tomei. Eu soube desta contratação esta manhã na imprensa quando acordei. Eu disse "não" a esta contratação. Ele não estava na nossa lista. Ele assinou e eu não sabia de nada. Eu acordei, fui ao site número 1 em França relativamente às informações sobre o Marselha e fiquei a saber que um novo jogador chegava à equipa. Apresentei a minha demissão à direcção. Não estou de acordo com a política desportiva do clube. Não quero nada do Marselha, não quero dinheiro do Marselha, nem nada do Frank (ndr: Frank McCourt, proprietário norte-americano do Marselha). Só me quero ir embora devido a uma divergência na política desportiva do clube. É pena termos de chegar a este ponto. Procurei a melhor solução à saída do Sanson. Se há algo em que não se pode tocar é no meu profissionalismo no que diz respeito à equipa. Não posso aceitar isto. Este clube já viveu dois ou três anos caóticos no que diz respeito às transferências».

André Villas-Boas admitiu também que esta decisão não tem nada a ver com os incidentes do passado sábado: «Não tenho nenhuma ligação em relação ao que se passou no sábado. É apenas no aspecto desportivo. Até no que diz respeito à saída de Nemanja Radonjic, eu só fui informado às 22h30», acrescentando que «não é a primeira vez que um jogador chega num clube sem ser uma escolha do treinador, mas essa não é a minha forma de trabalhar. Quero ir-me embora. Não quero ser demitido, quero sair por causa de divergências desportivas. Tocaram no meu profissionalismo, não posso aceitar isso».

André Villas-Boas, que levou o Marselha ao segundo lugar na época 2019/2020 e a um regresso da equipa à Liga dos Campeões, chegou ao clube durante o Verão de 2019, ele que assume ter um «relacionamento de amor com o Marselha»: «Os resultados que obtivemos, é culpa minha. Estou muito enervado. Nos meus piores pesadelos nunca pensei chegar até esta situação. Quatro derrotas consecutivas, nunca aconteceu na minha carreira. Temos uma relação de amor com o Marselha e com a França», concluiu o treinador português.

André Villas-Boas, treinador português

Recorde-se que André Villas-Boas chegou ao Marselha no Verão de 2019, ele que já passou por clubes como o FC Porto, Chelsea e Tottenham entre outros. O treinador português levou o clube marselhês ao segundo lugar na Ligue 1 em 2019/2020 e por consequência à Liga dos Campeões, algo que não acontecia desde a temporada 2013/2014.

A direcção do clube aceitou a demissão do treinador português, faltando apenas a luz verde do proprietário do clube, o norte-americano Frank McCourt.

Esta demissão acontece num clima tenso no clube visto que no passado sábado, cerca de três centenas de adeptos entraram nas instalações do clube para protestar contra a direcção, com particular destaque para o presidente Jacques-Henri Eyraud.

Foi necessária uma intervenção policial para travar esta invasão, vários artefactos pirotécnicos foram accionados ou arremessados. Para além dos danos materiais visíveis, os jogadores admitiram que ficaram ‘chocados’ por esta acção dos ‘adeptos’.

De notar que no passado fim-de-semana, ocorreu o segundo episódio violento com adeptos visto que partidários do Saint-Étienne, duas centenas de indivíduos, forçaram a entrada do centro de treinos para conversarem com o plantel da equipa que ocupa actualmente o 16º lugar do campeonato francês da primeira divisão.

Quanto ao Marselha joga na quarta-feira frente ao Lens, sendo que André Villas-Boas, o único treinador português da Ligue 1 em França, já não deverá estar no banco do clube francês.

Crónica de Marco Martins 02-02-2021

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