França/Covid

França: Emmanuel Macron não se arrepende, mas admite novas medidas

Presidente francês Emmanuel Macron discursa no Conselho europeu em vídeo conferência a partir de Paris a 25 de Março de 2021.
Presidente francês Emmanuel Macron discursa no Conselho europeu em vídeo conferência a partir de Paris a 25 de Março de 2021. REUTERS - BENOIT TESSIER

O presidente francês não se arrepende de não ter confinado o país no meio de Janeiro, não obstante a situação muito preocupante do momento quanto ao aumento do número de casos de Covid-19. Emmanuel Macron admite ter de voltar a avançar com novas medidas. 

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Numa altura em que os hospitais estão saturados em França com casos de Covid-19 e que o país pode voltar a figurar na lista vermelha britânico ou em que os alemães impõem o teste PCR negativo a pessoas provenientes de território francês o chefe de Estado admite a possibilidade de novas medidas a prazo.

"Tivemos razão em não confinar a França nos finais de Janeiro porque não houve a explosão que muitos previam.

Não tenho nenhum "mea culpa" a fazer, nem remorsos, nem nenhuma constatação de fracasso a formular. Tivemos razão em fazer o que fizemos.

Nos próximos dias, ou nas próximas semanas teremos, sem dúvida, novas medidas a tomar.

Tomá-las-emos todos juntos com base nos factos existentes, em toda a transparência, em tempo oportuno.

Queria deixar-vos, não uma réstea de esperança, mas uma perspectiva razoável de esperança é que, agora, graças à vacinação que mobilizámos temos horizontes mais seguros em que confiar."

Emmanuel Macron, presidente francês, 26/3/2021

Por seu lado o chefe da diplomacia francesa, Jean-Yves Le Drian, acusa a Rússia de propaganda em torno da exportação da sua vacina Sputnik V, quando muita da sua população continua com reticências em relação à vacinação, e tece comentários do mesmo teor relativamente à China e à sua vacina Sinopharm.

"A vacina Sputnik V é mais um meio de propaganda e de uma certa forma de diplomacia agressiva do que um meio de solidariedade e de ajuda sanitária.

Por exemplo com a Tunísia a Rússia, com muito eco na imprensa, publicitou o facto de dar 30 000 doses de Sputnik aos tunisinos. Muito bem !

Mas enquanto isso a Covax já entregou 100 000 doses e daqui até Maio vai entregar 400 000, ao todo serão 4 milhões de doses previstas para a Tunísia.

Isto é que é um trabalho de fundo em termos de solidariedade !

Tenho o mesmo exemplo com o Senegal onde a China anuncia ter feito a entrega de 200 000 doses de Sinopharm a Dacar. Muito bem !

Mas, enquanto isso, no mesmo ano, o dispositivo Covax vai entregar 1 milhão de doses, perto de 400 000 doses já foram entregues ao Senegal.

São dois métodos distintos: devemos considerar que a vacina é um bem público mundial, e fazer com que a imunidade seja global e que não seja uma imunidade competitiva.

Esse é o grande desígnio defendido hoje pelos europeus."

 

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