Futsal

Bruno Coelho: «Vencer o título francês com o Accs, antes do Mundial e do Europeu»

Bruno Coelho (direita), internacional português.
Bruno Coelho (direita), internacional português. © AFP - JURE MAKOVEC

O campeonato francês da primeira divisão de futsal masculino está ao rubro. O Accs lidera com 52 pontos, mais dois do que o Mouvaux Lille, sendo que faltam três jornadas para o fim desta temporada 2020/2021.

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No passado fim de semana, no duelo entre líderes, o Accs recebeu e venceu por 5-1 o Mouvaux Lille que caiu para o segundo lugar.

No Pavilhão Arena Teddy Riner, o clube parisiense entrou melhor no jogo, abrindo o marcador com um tento do capitão da equipa, o francês Abdessamad Mohammed.

O Accs dominava e, antes de atingirmos os 10 minutos de jogo, conseguiu apontar um segundo golo da autoria do internacional marroquino Bilal Bakkali.

A vencer por 2-0, a equipa da Região parisiense estava a caminhar para um triunfo importante, mas antes do intervalo,  antecedendo o fim dos 20 minutos que cada período conta no futsal, o Mouvaux Lille reduziu o marcador para 2-1 com um golo marcado pelo francês Sofiane Medjahed.

Na segunda parte o encontro estava equilibrado e cada equipa tinha oportunidades de marcar golos até ao minuto 33. O francês Souheil Mouhoudine apontou o terceiro tento do Accs.

A perder por 3-1, o Mouvaux Lille arriscou tudo para chegar ao empate e continuar na liderança, no entanto não resultou.

O Accs acabou por apontar mais dois golos, pelo espanhol Carlos Ortiz e pelo português Bruno Coelho.

O Accs venceu por 5-1 o Mouvaux Lille no fim dos 40 minutos de jogo. A três jornadas do fim do campeonato francês de futsal, a equipa que representa as cidades de Asnières e de Villeneuve la Garenne, na Região parisiense, tem dois pontos de vantagem em relação ao clube do Norte da França.

Em entrevista exclusiva à RFI, Bruno Coelho, internacional português do Accs, admitiu que o título ainda não está definido, e que a luta com o Mouvaux vai ser até à última jornada.

O atleta português de 33 anos também abordou a lesão de Ricardinho, melhor jogador do mundo, bem como os próximos compromissos da Selecção Portuguesa que passam pelo Mundial em Setembro de 2021 e pelo Europeu em Janeiro de 2022.

RFI: Triunfo importante frente ao rival por 5-1?

Bruno Coelho: Se analisarmos bem o jogo, tivemos mais oportunidades, até mesmo na primeira parte tivemos perto do 3-0, e no contra-ataque eles fizeram o 2-1. Tivemos várias ocasiões. É um resultado algo pesado também porque o Mouvaux arriscou no fim do jogo, e marcámos dois golos nessa fase. O resultado é justo porque criámos mais oportunidades de golo. Não fomos felizes como queríamos na finalização, mas acho que a vitória é justa e merecida.

O Accs soube impor o seu ritmo…

Em casa queremos mandar nós, queremos ser nós os vitoriosos. Fizemos um jogo bastante exemplar. Foi a demonstração da nossa vontade, da nossa garra, da nossa ambição. Ficam a faltar três jogos, três finais. Queremos ganhá-las para sermos campeões. Fico contente pela vitória, o mais importante é a vitória.

Três jogos, dois pontos de vantagem, o campeonato está definido?

Não, ainda não. Só está feito quando acabar. Temos muito campeonato ainda por disputar. Faltam três jogos, mas ainda é muito campeonato. Agora é descansar, recuperar, para na próxima jornada trazer mais um triunfo.

O objectivo no início da temporada era o título francês?

É um dos objectivos que tínhamos no início da temporada. Estamos na luta, estamos na frente do campeonato com dois pontos de vantagem, e esses dois pontos que temos são muito valiosos. Esta vitória frente ao Mouvaux é apenas importante se conseguirmos vencer na próxima jornada, se não, fica sem efeito. Estamos de parabéns pelo triunfo e pelo que fizemos.

Ricardinho está lesionado. Faz falta à equipa?

O Ricardo faz sempre falta. O Ricardo é o melhor jogador do mundo. Faz sempre falta. Quero deixar-lhe uma palavra de melhoras porque não é fácil, não está a passar o melhor momento da carreira. Uma lesão grave que o tirou dos campos até ao final da época. Esperemos que tudo corra bem e que vai correr bem, e que consiga estar apto para o Mundial da modalidade. Mas claro, ele faz falta a qualquer equipa do mundo.

Mas a lesão abalou a equipa?

Não, não abalou. Faz falta o Ricardo, sabemos qual é a importância do Ricardo, mas nós temos de jogar, temos de competir e temos de lutar com as armas que temos. Neste momento, estamos com esta equipa, com estes jogadores, e é com estes que vamos à luta até ao fim para tentar alcançar o nosso objetivo.

O FC Barcelona esteve na final da Liga dos Campeões europeus de futsal. O Accs foi eliminado pelos espanhóis nessa prova… (ndr: o Sporting CP venceu a Champions derrotando por 4-3 os espanhóis na final que decorreu em Zadar na Croácia)

Foi um jogo que podíamos ter ganho. O normal era o Barcelona ganhar, mas nós tínhamos a nossa palavra a dizer, a nossa ambição, e desejávamos muito estar na final 8 da prova, mas não conseguimos. Continuamos a trabalhar para atingir um outro objectivo que é conquistar o título de Campeão de França.

Portugal conseguiu apurar-se para o Europeu de 2022, apesar de um início complicado nas eliminatórias?

Não começámos da melhor maneira. Um empate com a Polónia, depois vencemos lá, depois outro empate com a República Checa, e acabámos com uma vitória frente aos checos. Não foi o melhor início, mas conseguimos, como grande Seleção que somos, com grandes atletas, com grandes jogadores, dar a volta e passar em primeiro, que era o nosso principal objetivo e estar no Europeu.

Em quatro meses, vai haver o Mundial e depois o Europeu, isto para além dos Campeonatos nacionais. A próxima temporada vai ser complicada?

Isto é a nossa vida, é o nosso trabalho, é o que gostamos de fazer. E se não for assim, não tem graça. São duas competições, tanto uma como a outra, bastante exigentes num curto espaço de tempo, sendo que para o Europeu temos menos tempo de preparação do que para o Mundial. Vamos fazer a pré-época com a Seleção, durante cerca de um mês, um mês e meio. Mas são duas competições em que temos de estar no máximo das nossas capacidades. Depois teremos ainda o Campeonato e talvez a Taça, o que significa que são muitos jogos. Mas isto é o nosso trabalho, gostamos disto e se não for assim, não tem graça. Vai ser bom.

O terceiro confinamento em França começava a pesar?

Claro que sim, mas felizmente conseguimos continuar a trabalhar. Temos o nosso trabalho, isso é importante. Há pessoas que recebem menos ou que estão em teletrabalho, ou empresas que deram falência, e neste momento temos de nos sentir como privilegiados por conseguirmos fazer o nosso trabalho. Não é fácil, mas as pessoas têm de continuar a proteger-se e proteger os outros. Enquanto toda a população não é vacinada, como tem de ser, vamos ter de continuar a lutar.

 

Bruno Coelho, internacional português do Accs.
Bruno Coelho, internacional português do Accs. © Marco Martins/RFI

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