França/Relações Internacionais

França decide suspender operações militares conjuntas no Mali

Florence Parly, minista francesa das Forças Armadas, cujo Ministério divulgou no dia 3 de Junho de 2021, a intenção da França de suspender  as operações militares conjuntas no Mali, até avaliar as respostas a serem dadas pela junta militar no poder em Bamako, sobre o futuro da transição política no país da África ocidental.
Florence Parly, minista francesa das Forças Armadas, cujo Ministério divulgou no dia 3 de Junho de 2021, a intenção da França de suspender as operações militares conjuntas no Mali, até avaliar as respostas a serem dadas pela junta militar no poder em Bamako, sobre o futuro da transição política no país da África ocidental. © REUTERS/Benoit Tessier

Depois de ter considerado inaceitável o recente golpe militar no Mali, a França decidiu suspender, esta sexta-feira, 3 de Junho, as operações militares conjuntas com o país da África ocidental. No entanto, o governo francês não coloca em causa a continuidade da operação Barkhane contra os grupos jihadistas, na qual estão envolvidos 5.100 tropas francesas.

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A suspensão da cooperação militar activa com o Mali, visa obrigar a junta no poder em Bamaco, a implementar a  transição política prometida pelo coronel Assimi Goïta, novo homem forte e líder dos dois golpes de Estado ocorridos em menos de um ano no país da África ocidental.

Um comunicado do Ministério Francês das Forças Amadas informa que, à  luz das exigências e das linhas vermelhas estabelecidas pela CEDEAO e a União Africana de forma a esclarecer o quadro da transição política no Mali e na  expectativa de garantias, a França decidiu  suspender a título cautelar  e temporário as operações militares conjuntas com as forças malianas, bem como as missões de conselho em seu benefício". 

Segundo ainda o ministério francês da Defesa, as  autoridades de Paris voltarão a avaliar a medida nos próximos dias, perante as respostas das suas  homólogas malianas, no que diz respeito à transição política no Mali.

As forças francesas, da operação Barkhane, prosseguirão as suas operações sem a participação dos malianos.

Em contrapartida, a força "Takuba", composta por unidades de  forças especiais europeias e cuja missão é formar o exército maliano para a luta contra os jihadistas, suspendeu as  suas actividades.

De acordo com uma fonte diplomática, o executivo francês receia que o novo golpe do coronel Assimi Goïta, contribua para dissuadir os países europeus de integrar a frente anti-jihadista em luta contra a desestabilização do Sahel.

O Presidente Emmanuel Macron declarou no dia 31 de Maio de 2021, que no caso de o Mali optar por uma aproximação com o islamismo radical,  a França retirará as suas tropas e porá um termo a operação Barkhane.

Elie Tenenbaum, investigador do Instituto Francês de Relações Internacionais  (IFRI) considera que a suspensão das operações militares conjuntas com o Mali , poderia ser o prenúncio a uma futura retirada das 5.100 tropas francesas da operação Barkhane.

O  primeiro dos dois golpes de Estado no Mali em menos  de um ano, decorreu  no dia 18 de Agosto  de 2020 e levou à destituição  do presidente Ibrahim Boubacar Keïta, acusado  de corrupção e de impotência perante a  insegurança crescente  no Mali.

No dia 24 de Maio  de 2021, insatisfeitos como uma remodelação do governo  decidida após uma crescente contestação,  os militares liderados  novamente pelo coronel Assimi Goïta, levaram a cabo um  novo golpe de Estado.  No decurso do mesmo  foram destituídos  e  presos , o Presidente  Bah Ndaw e o Primeiro-ministro Moctar Ouane. 

O  coronel Assimi Goïta foi declarado chefe de Estado e Presidente de transição, pelo  Tribunal Constitucional maliano.

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