França

A França aperta as medidas contra as pessoas não vacinadas vindas do exterior

Primeiro-ministro francês Jean Castex.
Primeiro-ministro francês Jean Castex. REUTERS - GONZALO FUENTES

A França passa a exigir a partir da meia-noite testes PCR ou antigénicos com menos de 24 horas às pessoas não vacinadas que chegarem de uma série de países, nomeadamente Moçambique, Portugal e Espanha, na sequência das novas restrições anunciadas pelo presidente Macron no começo da semana.

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O governo francês anunciou hoje que os viajantes vacinados contra a covid-19 com um fármaco reconhecido pela agência europeia do medicamento, já não vão precisar de se apresentar com um teste negativo para entrar em França a partir deste sábado.

Mas em compensação, um teste PCR ou antigénico negativo com menos de 24 horas, contra as anteriores 72 horas, vai passar a ser exigido a partir da meia-noite às pessoas não vacinadas que chegarem de cinco países da União Europeia, Portugal Espanha, Grécia, Chipre e Holanda.

O governo francês indicou ainda que desta "lista vermelha" de destinos desaconselhados, passaram igualmente a constar a Tunísia, Moçambique, Cuba e Indonésia. De acordo com o executivo, quem tiver um "motivo imperativo" para lá se deslocar, terá de apresentar um teste negativo à saída destes países, assim como à chegada a França e ainda submeter-se a uma quarentena controlada de 10 dias em território francês.

O governo francês estabeleceu ainda que quem quiser entrar no país a partir do Reino Unido, terá de apresentar um teste negativo com menos de 24 horas, contra 48 horas anteriormente, isto depois de Londres ter anunciado ontem que mantinha a quarentena obrigatória para os viajantes vacinados provenientes de França, como é o caso para cidadãos de outros países.

Estas decisões vêm na sequência do anúncio feito na segunda-feira pelo presidente Macron da obrigatoriedade da vacinação contra a covid-19 para os enfermeiros, cuidadores e funcionários dos lares de idosos. Na passada segunda-feira, o presidente francês anunciou igualmente que o uso do passe sanitário iria ser alargado ao acesso aos restaurantes, cafés, centros comerciais, cinemas e outros locais de cultura e lazer.

Uma medida que apesar de ser aprovada por cerca de 60% dos inquiridos de uma sondagem divulgada ontem, não deixa de suscitar questionamentos sobre a limitação das liberdades individuais. Depois de milhares de pessoas já terem manifestado contra estas decisões na quarta-feira, hoje outros milhares têm desfilado para marcar a sua oposição contra aquilo que denominam de "ditadura sanitária".

Segundo dados governamentais, desde o começo da campanha de vacinação, mais de 37 milhões de pessoas receberam pelo menos uma injecção, ou seja mais de 55% da população e quase 30 milhões pessoas estão agora completamente vacinadas, o que representa um pouco mais de 44% da população francesa.

De referir ainda que de acordo com os últimos dados disponíveis, a França registou ontem mais de 10 mil novos casos de covid-19. Considera-se que a variante Delta é actualmente responsável pela larga maioria das contaminações no país. Cerca de 7 mil pessoas estão neste momento internadas com covid-19 em França, a doença tendo provocado ontem 22 mortos. Ao todo, mais de 111 mil pessoas morreram devido à pandemia no país.

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