Jean-Paul Belmondo

Morreu Jean-Paul Belmondo, uma lenda do cinema francês

Jean-Paul Belmondo morreu aos 88 anos
Jean-Paul Belmondo morreu aos 88 anos AFP - ERIC LALMAND

O actor Jean-Paul Belmondo, uma das últimas lendas do cinema francês apagou-se esta segunda-feira, em Paris, aos 88 anos.

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"Estava muito cansado há algum tempo. Partiu tranquilamente", anunciou o advogado, Me Michel Godest. Belmondo deixa um grande vazio no cinema francês. Foram mais de cinquenta anos de uma carreira que começou com Godard e a Nouvelle Vague.

Belmondo sobreviveu em 2001 a um acidente vascular cerebral, "Bebel" continuou sempre a receber propostas para filmar. O actor começou com Godard e a Nouvelle Vague ficou conhecido em comédias e filmes de acção, tinha 88 anos.

Conhecido por Bebel, filmou mais de 80 filmes e deixa para a história do cinema interpretações inesquecíveis: "A bout de souffle" ou "Le guignolo".

"Nele, revemo-nos todos", afirmou o Presidente francês, Emmanuel Macron, referindo-se a um "tesouro nacional".

Jean-Paul Belmondo, em 2013.
Jean-Paul Belmondo, em 2013. PHILIPPE MERLE AFP/File

A vida de Jean-Paul Belmondo destinou-se à cena do teatro e cinema. Nasceu a 9 de Abril de 1933 em Neuilly-sur-Seine filho de um escultor conceituado, Paul Belmondo, e de uma artista, Madeleine Rainaud-Richard.

Jean-Paul Belmondo não mostra grande interesse pelos estudos. A paixão é o desporto: futebol, ciclismo mas sobretudo boxe. Estas competências desportivas são visíveis mais tarde nas performances no palco, onde fazia cascadas - umas das suas marcas de fabrico.

Em 1946, Jean-Paul Belmondo assiste a uma representação de Mulheres Sábias de Molière na Comédie-Française. Assim nasce a sua vocação, determinado em ser actor estuda com Raymond Girard e Pierre Dux, Belmondo apresenta peças nos hospitais de Paris para os doentes.

Integra o Conservatório nacional das Artes Dramáticas em 1952, conhece Jean Rochefort, Jean-Pierre Marielle, Bruno Cremer, Pierre Vernier e Michel Beaune. A esta "Banda do Conservatório" juntam-se Jean-Pierre Mocky, Claude Rich, Annie Girardot, Françoise Fabian e Philippe Noiret. Mas Jean-Paul Belmondo não convence o juri da Comédie-Française e não integra a equipa. Um marco que não o impede de ser chamado por Jean Anouilh, nem de interpretar Feydeau ou George Bernard Shaw.

Em 1956, Jean-Paul Belmondo integra o primeiro filme, Les Copains du dimanche, de Jean Astier. Torna-se uma estrela e em 1959 interpreta D'Artagnan nos Três Mosqueteiros, de Claude Barma.

A Nouvelle Vague torna-se um movimento de sucesso e Claude Chabrol, avança para o terceiro filme em 1959, chamando o jovem actor para A double tour. Jean Luc Godard convida Belmondo em 1960 para o papel principal em O Acossado/A bout de souffle com Jean Seberg, uma das principais obras da Nouvelle Vague. Sucesso pela crítica e pelo público, este filme projecta Belmondo no cinema.

Figura do movimento, ao lado do outro monstro sagrado do cinema francês que é Alain Delon, Belmondo acaba por não se rever nele e pouco o frequenta. Com Godard faz mais dois filmes Une Femme est une femme e Pierrot le fou.

O carisma de Belmondo é reconhecido pelos maiores cineastas franceses. Claude Sautet chama o actor francês para a primeira longa metragem Classe tous risques (1960). No mesmo ano, em Moderato Cantabile de Peter Brook, uma interpretação do livreo de Marguerite Duras. Ou ainda Léon Morin prêtre (1961) para Jean-Pierre Melville.

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