Alexandre Benalla

Antigo colaborador do Eliseu, Alexandre Benalla, enfrenta a justiça

Alexandre Benalla, antigo colaborador do Palácio do Eliseu, ouvido pela Justiça.
Alexandre Benalla, antigo colaborador do Palácio do Eliseu, ouvido pela Justiça. AP - Thibault Camus

Nas próximas três semanas, o antigo colaborador do Palácio do Eliseu, Alexandre Benalla, o seu cúmplice Vincent Crase e dois policias vão responder a violências cometidas contra manifestantes no 1 de Maio de 2018, durante um protesto sindical.

Publicidade

Alexandre Benalla deu origem ao primeiro terremoto que abalou o mandato de Emmanuel Macron. Esta segunda-feira, 13 de Setembro e durante doze dias de julgamento repartidos por três semanas, Alexandre Benalla vai enfrentar a justiça francesa.

O antigo colaborador do Palácio do Eliseu terá que responder tanto pelas suas acções, reveladas pelo jornal Le Monde a 18 de Julho de 2018, na place de la Contrescarpe e no Jardin des Plantes, no 5º bairro de Paris, à margem do cortejo de 1º de Maio em 2018; pela forma como procurou defender-se, explorando imagens da polícia de Paris, pelo uso de passaportes diplomáticos aos quais não deveria ter tido acesso, para duas dezenas de viagens em 2018.

No total, quatro homens apresentam-se a partir de hoje perante o tribunal da primeira vice-presidente do tribunal de Paris, Isabelle Prévost-Desprez. Além de Alexandre Benalla, e do seu colega Vincent Crase, também implicado nos actos de agressões, estão ainda dois polícias; o comissário Maxence Creusat e o divisionário Laurent Simonin. Todos participaram de forma activa nos acontecimentos do 1º de maio e na divulgação de imagens destinadas a exonerar o Alexandre Benalla.

Violentas interpelações

O dia 1 de Maio de 2018 ficou marcado, como todos os anos, por um cortejo sindical nas ruas de Paris, onde aconteceram actos de violência, levando a interpelações por parte da polícia. A Place de la Contrescarpe, no 5º bairro da capital francesa, não foi o epicentro desses movimentos, mas a multidão espalhou-se para esta praça da capital.

Georgios D. e Chloé P. encontravam-se perto de uma intervenção da Polícia de Intervenção Rápida (CRS) que, sob aviso de risco de formação de uma barricada, rodeou esta praça. Enfurecidos com o que viram, os dois jovens lançaram projécteis contra a polícia - actos condenados em Fevereiro de 2019.

Duas pessoas usando um capacete e uma braçadeira com a identificação “polícia” - e uma arma de fogo - intervêm violentamente contra Georgios D. e Chloé P. Alexandre Benalla era uma dessas pessoas. Não usava uniforme, mas tinha uma capacete da polícia. O assessor do Presidente Emmanuel Macron agarrou violentamente a jovem, puxou-a e bateu-lhe nela.

Durante esse tempo, um agente CRS tentou prender o companheiro da jovem, Georgios D. O jovem estava no chão quando Alexandre Benalla interveio, estrangulou-o para que ele se levantasse. Ao perceber que estava a ser filmado, o colaborador de Emmanuel Macron afastou-se. 

A cena é filmada pela activista Taha Bouhafs, que partilha o vídeo nas redes sociais, sem saber que os dois homens que filmou não são na verdade polícias.

Tanto Benalla como Vincent Crase trabalhavam no Palácio do Eliseu en partido La République en Marche (LRM), que apoia o presidente Emmanuel Macron. Os dois são amigos desde 2009.

Naquela tarde, os dois homens queriam ver mais de perto os black blocs, grupos de manifestantes de extrema-esquerda envolvidos em confrontos com a polícia. Não se contentando com apenas observar a cena, os dois homens assumiram a responsabilidade de participar activamente da manutenção da ordem.

Poucas horas antes, no Jardin des Plantes, já tinham prendido violentamente três outros manifestantes: Mélisande C. e Simon D., Khélifa M., que ficando ferido durante a intervenção se viu forçado a apresentar quatro dias de incapacidade total para o trabalho (ITT). Todos são partes civis do julgamento.

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.

Acompanhe toda a actualidade internacional fazendo download da aplicação RFI