França/Austrália

Austrália quebrou contrato de compra de 12 submarinos franceses

Presidente francês Emmanuel Macron, o segundo à esquerda, e o primeiro-ministro australiano, Malcolm Turnbull, no meio, no submarino HMAS Waller aquando da visita à base naval da ilha de Garden Island, em Sydney, a 2 de Maio de 2018. (Brendan Esposito/Pool Photo via AP)
Presidente francês Emmanuel Macron, o segundo à esquerda, e o primeiro-ministro australiano, Malcolm Turnbull, no meio, no submarino HMAS Waller aquando da visita à base naval da ilha de Garden Island, em Sydney, a 2 de Maio de 2018. (Brendan Esposito/Pool Photo via AP) AP - Brendan Esposito

A Austrália voltou atrás quanto à suposta compra do século de 12 submarinos à França, contrato assinado em 2019 orçada em 34 mil milhões de euros. A Austrália acaba de anunciar ter optado por uma parceria estratégica com os Estados Unidos e o Reino Unido. O presidente americano, Joe Biden, procurou, ainda assim, tranquilizar a França como parceiro chave.

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Na altura da assinatura o contrato foi anunciado como o maior que a Austrália tinha firmado em 50 anos.

O concourso tinha sido ganho pelo Naval Group (antiga DCNS) em 2016.

O chefe do executivo australiano, Scott Morrison, justificou esta opção pela necessidade de conseguir embarcações de propulsão nuclear, mais adaptadas às ameaças regionais, submarinos "mais potentes, mais resistentes mais rápidos e mais discretos."

Em França o facto de o Naval Group ficar de fora do negócio poderia ameaçar centenas de empregos (pelo menos 500 distribuídos entre Cherbourg, Angoulême, Nantes e Toulon.

Numa entrevista com a RFI a ministra francesa da defesa, Françoise Parly, alega ser "grave" a "ruptura da palavra". O chefe da diplomacia de Paris, Jean-Yves Le Drian, denuncia, por seu lado um "golpe nas costas" e pede explicações a Camberra.

A parceria estratégica entre a Austrália, os Estados Unidos, o Reino Unido vem pôr cobro a este chorudo negócio para a França.

O presidente norte-americano, Joe Biden, tentou, ainda assim, tranquilizar a França quanto ao facto de ser um parceiro chave dos Estados Unidos.

"Trata-se de investir na nossa maior valia, as alianças que temos. E renová-las para melhor enfrentar as ameaças de hoje e de amanhã. 

Trata-se de melhor ligar os parceiros e aliados da América em novas formas e aumentar a nossa capacidade em colaborar, admitindo que nada pode separar os interesses dos nossos parceiros do Atlântico e do Pacífico. 

Este esforço reflecte a tendência de alguns países europeus chave que desempenham um papel muito importante no Pacífico.

A França, em particular, tem já uma presença substancial no Pacífico e no Indico e é um parceiro chave na aliança que reforça a prosperidade e segurança da região.

Os Estados Unidos estão impacientes por trabalhar de forma mais próxima com a França e outros parceiros chave, à medida que vamos avançado."

Joe Biden, presidente norte-americano, 16/9/2021

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