Crise dos submarinos na agenda da UE

Presidente francês Emmanuel Macron em Sydney, 2 de Maio de 2018.
Presidente francês Emmanuel Macron em Sydney, 2 de Maio de 2018. AP - Brendan Esposito

Os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia reúnem-se, esta segunda-feira, para falar sobre a quebra australiana do contrato de compra de submarinos franceses. A decisão da Austrália pode tornar “mais complicadas” as negociações relativamente a um acordo comercial com a União Europeia. Este é o mais recente episódio do diferendo comercial e diplomático.

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Os chefes da diplomacia europeia reúnem-se, esta noite, para falar sobre o cancelamento da encomenda australiana de submarinos franceses, algo que pode tornar “mais complicadas” as negociações relativamente a um acordo comercial com a União Europeia. O aviso foi deixado pelo presidente da comissão de comércio internacional do Parlamento Europeu.

A França insiste que quer “explicações” daquilo que descreveu como “uma enorme quebra de confiança”, declarou o porta-voz do governo, Gabriel Attal, acrescentando que o presidente americano Joe Biden pediu para falar com o homólogo francês e que isso vai acontecer “nos próximos dias” por telefone.

Depois da anulação da encomenda dos submarinos franceses, conhecida como “o contrato do século”, Emmanuel Macron convocou os embaixadores franceses em Camberra e em Washington, numa decisão inédita. Esta semana também estava prevista uma reunião entre a ministra francesa da Defesa e o seu homólogo britânico, mas foi cancelada a pedido de Paris.

A parceria estratégica entre os Estados Unidos, a Austrália e o Reino Unido, anunciada a 15 de Setembro, colocou os franceses fora de jogo ao incluir o fornecimento de submarinos americanos. No sábado, o ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Yves Le Drian falou em “crise grave”, “mentira”, “duplicidade”, “desprezo” e “grande quebra de confiança”.

O primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, rejeitou as acusações e disse não se arrepender de colocar o interesse nacional em primeiro lugar, seguindo os conselhos dos serviços de inteligência e de defesa. Os submarinos americanos são de propulsão nuclear e mais autónomos que os encomendados à França de propulsão convencional.

O ministro australiano da Defesa justificou que Camberra tinha sido honesta com a França ao indicar preocupações sobre o acordo que teria ultrapassado o orçamento e tido anos de atraso. A sua homóloga francesa respondeu que as suas afirmações são inexactas.

Em 2016, a França assinou um contrato de 56 mil milhões de euros para a entrega de 12 submarinos à Austrália.

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