Debate/ Eleições presidenciais

França: debate reúne extremos a 7 meses das eleições presidenciais

O chefe da França Insubmissa, Jean-Luc Mélenchon (esquerda) e Éric Zemmour (direita) da extrema-direita num debate na BFM-TV.
O chefe da França Insubmissa, Jean-Luc Mélenchon (esquerda) e Éric Zemmour (direita) da extrema-direita num debate na BFM-TV. © BERTRAND GUAY/AFP

Eric Zemmour, da extrema direita e Jean-Luc Mélenchon, da França Insubmissa, debateram esta quinta-feira, 23 de Setembro, em directo na BFM-TV vários temas estruturantes para França.

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Jean-Luc Mélenchon é assumidamente candidato às eleições presidenciais há cerca de um ano, no entanto, Eric Zemmour mantém o segredo quanto à sua candidatura.

A imigração, segurança e luta contra o aquecimento global foram alguns dos temas que geraram discórdia no debate.

Mélenchon atacou Zemmour logo no início do debate, acusando-o de ser um perigo para França.“Você é um perigo para o nosso país e tem uma visão atrofiada de França”, defendeu.

Depois, explicou o motivo que o levou a aceitar participar neste debate: "Eu queria participar neste debate porque estamos a sete meses de uma eleição presidencial, sou candidato e as oportunidades de convencer devem ser aproveitadas”.

Os dois representantes políticos debateram ainda sobre a questão 'A França está em perigo?' e Zemmour foi bastante crítico relativamente a este assunto: “Demos os direitos da política de imigração aos imigrantes. São eles que escolhem quem vem, quem não vem: o filho, a mãe, a esposa, o primo”.

Por seu turno, Mélenchon ripostou, referindo-se ao facto destas pessoas serem seres humanos e terem família.

A dada altura, Eric Zemmour referiu querer uma força policial que respeite as pessoas."Para mim, a delinquência que estamos a viver não é a delinquência, é a jihad... É uma guerra de civilização que está a ser travada contra nós, uma guerra de assassínios”, defendeu.

Mais à frente no debate, o candidato da França Insubmissa reiterou o aumento do salário mínimo para 1.400 euros e o bloqueio de um certo número de preços em bens de primeira necessidade.

Zemmour deu a resposta: "O modelo social renunciou a esses dois princípios: vincular contribuições ao trabalho e passamos de um sistema de distribuição para um sistema de assistência".

Para além disso, defendeu a "redução de impostos e encargos sociais”, mas não deu pormenores sobre a forma como pretenderia implementá-lo.

No decorrer do debate, a energia nuclear também gerou discórdia, uma vez que Eric Zemmour defende que a solução para combater o aquecimento global é nuclear, algo que Mélenchon não concorda, salientando o risco de acidentes e recordando a questão dos resíduos.

De notar ainda que uma eventual candidatura do polémico editorialista françês, Eric Zemmour pode vir a impedir que Marine Le Pen passe à segunda volta, dada a possível dispersão de votos do campo nacionalista.

Depois do debate com o candidato da extrema esquerda, do partido França Insubmissa, Zemmour, que tem crescido nas sondagens, foi esta sexta-feira recebido pelo ultra-conservador primeiro-ministro ministro húngaro, Viktor Orbán, para uma cimeira sobre demografia, que reúne a direita conservadora.

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