França/Eleições regionais

Sarkozy responde à derrota eleitoral com protecionismo

Discurso do presidente francês Nicolas Sarkozy  no dia 24 de março 2010. Essa foi a primeira vez que Sarkozy falou desde a divulgação dos resultados das eleições regionais.
Discurso do presidente francês Nicolas Sarkozy no dia 24 de março 2010. Essa foi a primeira vez que Sarkozy falou desde a divulgação dos resultados das eleições regionais. Foto: Reuters/Benoit Tessier

Sério e visivelmente abatido, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, fez seu primeiro discurso à nação após a derrota de seu partido nas eleições regionais, e lançou uma ofensiva contra a violência urbana.

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Em seu discurso, feito na manhã de hoje no Palácio do Eliseu, o presidente defendeu as reformas realizadas por seu governo nos últimos três anos e lamentou que a crise tenha impedido os franceses de enxergar os resultados. Reconhecendo que os franceses têm pressa, Sarkozy se recusou, no entanto, a mudar de orientação política e avisou que dará continuidade às reformas. Ele garantiu que, em seis meses, a reforma da aposentadoria será votada.

As prioridades do governo são a criação de empregos, a competitividade da indústria e a proteção dos agricultores. Sarkozy declarou estar disposto a iniciar uma crise na Europa, para defender a política agrícola comum, baseada em subsídios e barreiras comerciais. Em tom protecionista, ele afirmou que a Europa tem a obrigação de proteger seus empregos e suas empresas e lutar contra a competitividade desleal.

A derrota do partido governista nas regionais foi agravada pela migração de votos de eleitores de extrema direita, que tinham garantido a vitória de Sarkozy em 2007. Disposto a reconquistar essa parcela do eleitorado, o presidente francês adotou a linha dura no tratamento de uma série de temas domésticos, como segurança, violência nas escolas e nos estádios de futebol. Visando as famílias "que não conseguem educar seus jovens", Sarkozy disse que os autores de distúrbios serão retirados de suas famílias e internados em estabelecimentos especiais.

Em resumo, Sarkozy confirmou a guinada à direita e deu adeus a abertura, introduzida com a nomeação de quadros da esquerda no governo. Os dois anos de mandato que restam até as presidenciais de 2012 serão consagrados a reconstituir a base eleitoral conservadora.


Reações

Como era esperado, a oposição reagiu ao discurso de Sarkozy com críticas à insistência do presidente em relação às reformas. O presidente do Partido da Esquerda, Jean-Luc Mélénchon, declarou que Sarkozy nega a realidade de forma pueril e ainda agride os antecessores que defenderam conquistas sociais. O deputado Jean-Christophe Cambadélis, do Partido Socialista, analisa o discurso de Sarkozy como uma operação de reconquista do eleitorado de direita, que boicotou as urnas nas regionais ou votou no partido de extrema direita Frente Nacional. A central sincical CFDT divulgou um comunicado afirmando que, ao prosseguir com as reformas, "Sarkozy ignora a crise e as dificuldades que atingem os franceses."
 

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