Política/França

Ministro do Trabalho francês é ouvido sobre caso L'Oréal

O ministro do Trabalho, Eric Woerth.
O ministro do Trabalho, Eric Woerth. Reuters / Philippe Wojazer

O ministro do Trabalho da França, Eric Woerth, é ouvido nesta quarta-feira como testemunha no escândalo político-econômico-familiar envolvendo a herdeira do grupo L'Oréal, Liliane Bettencourt. Essa audiência foi solicitada dentro das investigações sobre o conteúdo de gravações clandestinas comprometedoras feitas pelo mordomo da bilionária entre maio de 2009 e maio de 2010. 

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O ministro, que durante as últimas semanas declarou que não via a hora de poder dizer toda a verdade, está sendo ouvido no próprio Ministério do Trabalho desde as 8 horas da manhã, hórario de Paris, 3 da manhã em Brasília.

Eric Woerth deve responder principalmente a duas perguntas da brigada financeira: A primeira se refere a um possível conflito de interesses - sua mulher foi contratada para um alto cargo na empresa administradora da fortuna de Bettencourt na época em que ele era ministro do Planejamento, entre maio de 2007 e maio de 2010. A empresa era dirigida por Patrice de Maistre que, no começo, o ministro disse não conhecer. Ora, esse mesmo Patrice de Maistre teria financiado, em nome de Liliane Bettencourt, a campanha presidencial de Nicolas Sarkozy, do partido UMP, cujo tesoureiro era o próprio Eric Woerth.

Outro ponto que o ministro deverá esclarecer é uma possível fraude fiscal por parte da herdeira, através de duas contas na Suíça e a propriedade ainda não comprovada, de sua Ilha de Arros, no arquipélago de Seychelles. A dúvida é saber se o ministro do Orçamento na época encobriu, de uma forma ou de outra, essa evasão fiscal.

O interrogatário não deve parar por aí: a suspeita de financiamento ilegal do partido UMP também deve ser abordada, o ministro teria recebido das mãos do administrador Patrice de Maistre um envelope com 150 mil euros, cerca 350 mil reais, para financiar a campanha presidencial de Nicolas Sarkozy na época em que era ministro do Planejamento.

No total, seis investigações diferentes foram abertas para cobrir as diferentes suspeitas desse imbróglio que não fica devendo nada a uma grande saga.

Ontem, a polícia fez uma busca na casa da filha da bilionária, Françoise Meyers-Bettencourt. Os investigadores fizeram a operação no âmbito das investigações das gravações do mordomo na casa de sua mãe. A polícia quer saber se ele agiu sozinho ou contou com alguma ajuda.

 

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