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Diplomacia/França

Crise na diplomacia é tema de encontro de embaixadores

Jardins do Quai d'Orsay, sede da diplomacia francesa
Jardins do Quai d'Orsay, sede da diplomacia francesa MAE/Frédéric de la Mure
Texto por: Patricia Moribe
3 min

A diplomacia francesa está em crise e, sob esse clima, tem início o encontro anual em Paris dos embaixadores franceses. Ameaçado de cortes, o corpo diplomático francês assume dois importantes desafios neste ano: a presidência do G8 e do G20.

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A partir desta quarta-feira, 180 diplomatas vão discutir até sexta-feira principalmente as linhas gerais da política exterior francesa. Além da questão nuclear no Irã e da presença francesa no Afeganistão, os diplomatas também discutirão as próximas presidências francesas do G8 e do G20, temas sociais, meio ambiente e mercados agrícolas.

Os embaixadores, porém, estão descontentes e a crise vem se anunciando há meses. Desde julho, ex-ministros das Relações Exteriores alertam que o Quai d'Orsay, o equivalente francês do Itamaraty, agoniza por causa dos cortes orçamentários.

Os ex-chanceleres Alain Juppé, de direita, e Hubert Vedrine, socialista, citaram o corte em 25 anos de mais de 20% do número de funcionários. Entre 2011 e 2013, o ministério, cujo orçamento representa apenas 1% do orçamento global do governo, terá ainda de cortar 10% de seus gastos.

Em um artigo publicado no jornal Le Monde, os embaixadores franceses François Scheer, Bertrand Dufourcq e Loïc Hennekinne escrevem que o Quai d’Orsay não custa caro aos cofres do Tesouro francês. O orçamento da instituição, dizem os embaixadores, representa 0,2% do Produto Interno Bruto. “Mesmo se cortássemos integralmente o Quai d’Orsay, isso não teria impacto quase nenhum no déficit [público francês]”, argumentam.

O porta-voz do Quai d'Orsay reconhece a situação financeira difícil, mas acrescenta que todos os ministérios passam por isso. Outros rerpesentantes do corpo diplomático alertam também para uma estrutura instável, sem comando claro, na qual o atual chanceler Bernard Kouchner tentou várias vezes resistir a pressões.

Kouchner, aliás, é um dos mais cotados para deixar o posto na próxima reorganização ministerial prevista para outubro. Os nomes de possíveis sucessores já são discutidos nos bastidores.

 

 

 

 

 

 

 

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