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França/Ciganos

Sarkozy promete continuar sua política de expulsão de ciganos

O primeiro-ministro polonês Donald Tusk (à esq.), José Manuel Barroso, presidente da Comissão europeia (centro) e o presidente francês Nicolas Sarkozy, fazer pose para a fotografia em Bruxelas.
O primeiro-ministro polonês Donald Tusk (à esq.), José Manuel Barroso, presidente da Comissão europeia (centro) e o presidente francês Nicolas Sarkozy, fazer pose para a fotografia em Bruxelas.
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O presidente francês, Nicolas Sarkozy, disse nesta quinta-feira durante entrevista coletiva, em Bruxelas, que vai manter sua política de expulsão de ciganos em situação irregular no país, apesar das críticas e ameaças de líderes europeus e organizações internacionais.  Sarkozy e o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, tiveram uma forte discussão sobre o tema durante uma reunião de líderes europeus.

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Com Leticia Fonseca, correspondente da RFI em Bruxelas,

A polêmica expulsão de ciganos pela França dominou a agenda do Conselho Europeu nesta quinta-feira, em Bruxelas. O clima do encontro ficou bastante tenso, principalmente durante o almoço de trabalho, quando o presidente francês, Nicolas Sarkozy voltou a criticar Bruxelas pelos ataques sobre o que ele classifica de política de segurança.

O presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso reagiu e defendeu a instituição e o papel do executivo do bloco. Segundo o primeiro-ministro búlgaro, Boyko Borissov, a discussão foi “muito violenta”.

Ao comentar o incidente, durante a coletiva para a imprensa, Nicolas Sarkozy, garantiu que manteve a calma, mas logo depois admitiu que não iria permitir insultos contra a França. A iniciativa de Sarkozy em deportar ciganos em massa foi recentemente criticada pela Comissão Européia, Parlamento Europeu, ONU, Departamento de Estado americano e organizações de direitos humanos.

Ainda na coletiva, o dirigente francês qualificou de “escandalosas” as críticas feitas pela comissária de Justiça e Direitos Humanos do bloco, Viviane Reding, que comparou as expulsões dos ciganos na França com as deportações que ocorreram na II Guerra Mundial. Sarkozy fez questão de lembrar que o solo francês é o mais receptivo da Europa, e ressaltou que a União Européia não deveria fechar os olhos diante dos assentamentos ilegais no continente.

Frente à inflexibilidade de Sarkozy, que prometeu continuar a colocar fim aos assentamentos ilegais, a presidência belga do bloco, pediu à Bruxelas para fiscalizar se as deportações infringem as leis comunitárias. A Comissão Européia está ameaçando levar o governo francês à Corte de Justiça do bloco.

Nesta quinta-feira, a presidência belga, também reiterou que o executivo europeu tem obrigação de zelar pelo cumprimento dos tratados comunitários, que explicitam os direitos das minorias.

Números

Cerca de 1.700 ciganos em situação irregular foram expulsos da França entre julho e setembro, segundo informou nesta quinta-feira o ministro francês da Imigração, Eric Besson. As expulsões foram feitas entre 28 de julho e até o fim de setembro, confirmou Besson que esteve no aeroporto Charles de Gaulle acompanhado do ministro do Interior, Brice Hortefeux.

Besson anunciou que um novo voo partindo de Lille, no norte da França, iria expulsar romenos em situação irregular, sem esclarecer se eram ciganos ou não.

No final de agosto, o ministério da Imigração informou que desde o início do ano, o número de ciganos  romenos e búlgaros em situação irregular que deixaram o território francês chegou a 8.313. No ano de 2009, segundo o ministério, o número de ciganos expulsos foi superior a 10 mil.
 

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