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França anuncia nova fase de buscas do AF447

Recuperação de destroços do avião AF 447
Recuperação de destroços do avião AF 447 AFP/Evaristo SA
Texto por: Lúcia Müzell | RFI
5 min

A quarta fase de buscas do voo AF447, que fazia a rota Rio-Paris e caiu no dia 31 de maio no oceano Atlântico, terá início em março. O anúncio foi feito nesta sexta-feira, durante uma coletiva de imprensa do secretário francês dos Transportes, Thierry Mariani, e Jean Paul Troadec, diretor do BEA, a agência civil de aviação francesa que investiga as causas do acidente.

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O secretário dos Transportes francês, Thierry Mariani, e o diretor do BEA, a agência francesa que investiga as causas do acidente, Jean Paul Troadec, estiveram reunidos nesta sexta-feira com as associações das famílias das vítimas do acidente, que matou 228 pessoas. A nova fase começa no próximo dia 9 e termina no dia 8 de julho, período que será dividido em três fases de ação, de 36 dias cada.

O navio Alucia, que traz a bordo os três submarinos que vão auxiliar nas buscas, deve deixar o porto de Suape, em Recife, no dia 18 de março e se dirigir para a área onde caiu o avião. Nesta região, foi estabelecida uma zona de buscas de 75 quilômetros de diâmetro, de 10 mil km2, que ainda não foram vasculhados. Jean-Paul Troadec, diretor do BEA, afirmou hoje que está “praticamente certo” de que os destroços se encontram no interior deste círculo delimitado pelos especialistas. Os três submarinos Remus 6000, considerados os melhores que existem para a análises submarinas, são do mesmo modelo já utilizado na fase anterior, no ano passado.

A quarta etapa de buscas está sendo totalmente financiada pela companhia aérea Air France e a fabricante Airbus, e vai custar 9,2 milhões de euros. Até agora, a França e as empresas já desembolsaram mais de 20 milhões de euros nas tentativas de encontrar os restos do avião. O objetivo principal da operação continua sendo a localização das caixas-pretas e da fuselagem do A330 da Air France. Segundo o secretário dos Transportes francês, "se a fuselagem ou outros elementos forem encontradas, haverá imediatamente uma quinta fase para recolher os destroços."

Dois brasileiros vieram a Paris a convite da Airbus para conhecer os detalhes da operação. Maarten van Sluys, diretor-executivo da Associação das Famílias das Vítimas do Voo AF 447, disse que a principal reivindicação da associação neste momento é que um representante brasileiro acompanhe em permanência o andamento das investigações. "Devido à dúvida sobre a transparência dessa investigação até hoje, chegamos num ponto em que, tantos franceses, quanto alemães e brasileiros, exigimos nessas próximas buscas termos um representante presencial. Não para dar palpite, para trabalhar, mas apenas para ser um observador", explicou.

Poucos destroços foram encontrados durante as fases precedentes, que custaram cerca de 20 milhões de euros. Apenas 50 corpos, das 228 vítimas, foram encontrados. Um relatório divulgado a cerca de um ano pela Air France mostrou que um defeito nos sensores Pitot, que medem a velocidade do avião, poderia ter contribuído para a tragédia, mas não provocou a queda do Airbus. Os sensores congelaram em pleno voo, não resistindo às baixas temperaturas. O mesmo problema já havia sido detectado em voos anteriores, o que levou a companhia a substituir o aparelho, da marca Thales, nos modelos A330 e A340.

No final do ano passado, em um relatório enviado à Justiça, a companhia acusou a Airbus de negligência. A Air France afirma ter informado o construtor sobre o defeito nas sondas, mas a Airbus minimizou o problema, e não teria tomado nenhuma providência.

As associações das famílias vítimas do acidente criticam a falta de transparência no processo, e afirmam que algumas informações “se perderam” durante a investigação. De acordo com as associações, incidentes semelhantes aconteceram sem que o BEA, a Agência Civil Francesa que investiga as causas do acidente, solicitasse maiores informações. Recentemente, a agência de segurança aérea europeia pediu uma revisão das normas da utilização das sondas. Segundo a agência, as mudanças climáticas influenciaram as condições de voo e os manuais precisam ser adaptados.
 

Maarten van Sluys, diretor-executivo da Associação das Famílias das Vítimas do Voo AF 447 entrevistado por Lúcia Jardim

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