França/Moradia

Polícia expulsa sem-tetos de prédio chique em Paris

Policiais em frente do prédio da seguradora AXA, desocupado a força nesta sexta-feira.
Policiais em frente do prédio da seguradora AXA, desocupado a força nesta sexta-feira. Reuters

Um grupo de militantes sem-tetos que invadiu ilegalmente um prédio em um dos bairros mais chiques da capital francesa, próximo ao palácio da presidência, foi expulso na manha dessa sexta-feira. O episódio chama atenção para os problemas de moradia na França.

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Os militantes expulsos fazem parte da associação jeudi noir, ou traduzindo, quinta-feira negra. O grupo é formado principalmente por jovens estudantes que não têm onde morar e invadem prédios desocupados na França. A oposição ao governo do presidente Nicolas Sarkozy reagiu com duras críticas à expulsão dos jovens que ocupavam desde dezembro o prédio comercial próximo da avenida Champs Elysées que está vazio e pertence à seguradora Axa.

Partidos de esquerda denunciam a precariedade de 340 mil moradias privadas na região de Ile de France, onde está a capital. Este problema é menos abordado na mídia do que as degradações em conjuntos habitacionais públicos das periferias. Segundo o prefeito de Paris, Bertrand Delanoë, faltam moradias para toda a população e os preços de certos apartamentos privados são muito altos devido à especulação imobiliária.

Não chega a ter formação de favelas, mas, para se ter uma ideia, no centro de Saint-Denis, ao norte da capital, 40% das habitações são insalubres. Nos imóveis de risco da Ile de France, 77% dos inquilinos e 57% dos proprietários vivem abaixo linha da pobreza. Um deputado do Partido Socialista alerta para a formação de guetos étnicos nestes locais e afirma que há uma maioria de famílias africanas vivendo precariamente.

O jornal Le Monde que chegou às bancas nesta sexta-feira chama o problema de "bomba a efeito retardado". "Como mal dá para pagar os aluguéis, os prédios não passam por obras, há muitas infiltrações, elevadores não funcionam...". De acordo com a reportagem, especuladores acabam comprando esses prédios caindo aos pedaços e alugam os apartamentos por valores acima do mercado.

O governo prometeu investir 380 milhões de euros em quinze cidades mais críticas, mas os representantes desses locais reclamam que o dinheiro não é suficiente para solucionar o problema.

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