França/Jupé

Alain Juppé, novo chanceler, toma posse na França

O novo chanceler francês, Alain Juppé, que assumiu o cargo nesta terça-feira
O novo chanceler francês, Alain Juppé, que assumiu o cargo nesta terça-feira

Na França, o novo ministro das Relações Exteriores, Alain Juppé, tomou posse em uma rápida cerimônia esta manhã, após a demissão de Michèle Alliot Marie. Depois de uma breve passagem pelo Ministério da Defesa no governo Sarkozy, Alain Juppé volta em grande estilo para o Ministério que ocupou entre 1993 e 1995.

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Aos 65 anos, conhecido na imprensa francesa como o "campeão do eterno retorno", já que ocupou diversos cargos ministeriais e foi até primeiro-ministro entre 1995 e 1997, Juppé é a última cartada do presidente Nicolas Sarkozy para tentar sua reeleição em 2012. Ele é o oposto de tudo que culminou na polêmica do momento, como bem lembrou o Le Monde. Ao contrário de Michèle Alliot Marie, que sai pela porta dos fundos depois de embarcar no avião de um amigo do ditador tunisiano Ben Ali, Juppé passou o Natal do ano passado com as tropas no Afeganistão, e o resto das férias na região francesa de Landes. Seu currículo tem algumas marcas, como uma condenação em 2004 por financiamento ilegal de partido e contratação de funcionários fantasmas na prefeitura de Paris. Juppé até passou por um período de exílio voluntário no Canadá, até que o escândalo fosse abafado, mas sua carreira mostra que ele saiu, politicamente, praticamente incólume do episódio.

Aceitando se tornar o novo chanceler, Juppé não embarcou em nenhum avião, mas num 'Titanic', como ele mesmo declarou há alguns meses, retrato do que representa hoje o governo de Sarkozy, mergulhado em escandâlos de corrupção, em debates inúteis sobre identidade nacional e o Islã, e com uma das popularidades mais baixas da história de um chefe de estado francês. Por que Jupé aceitou o cargo? Uma das razões é que o ministro exigiu, e terá, liberdade de ação.

Para tentar reconquistar o eleitorado, além de afastar a chanceler, Sarkozy optou por tirar outro ministro impopular do governo: Brice Hortefeux, do Interior, acusado de racismo depois de uma conversa com um jovem de origem árabe em um vídeo amador. O remanejamento ministerial, entretanto, não basta. Sarkozy também precisa contar com a falta de articulação do Partido Socialista, o principal da oposição, e com a decisão do diretor do FMI, Dominique Strauss-Khan, de disputar a eleição em 2012.

O presidente também aposta na estratégia do medo, como deixou claro em seu pronunciamento desta segunda-feira: diante da crise, da ameaça terrorista e das mudanças no mundo árabe, uma política firme se impõe. Mas para os franceses, por enquanto, não é a dele. Neste contexto, Jupé também pode ser o futuro candidato do UMP, partido do presidente, como tem especulado a imprensa francesa. Caso Sarkozy abandone o barco.
 

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