Imprensa/Líbia

Jornalista brasileiro preso na Líbia chega a Paris

O jornalista Andrei Netto, do "Estado de São Paulo".
O jornalista Andrei Netto, do "Estado de São Paulo". Reuters

O jornalista brasileiro Andrei Netto, correspondente de O Estado de S.Paulo em Paris e colaborador da Rádio França Internacional, desembarcou na manhã desde sábado em Paris, no aeroporto Charles de Gaulle, onde foi recebido no aeroporto pela mulher, a também jornalista Lúcia Müzell.

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Andrei Netto, 34 anos, jornalista de O Estado de S. Paulo, foi libertado nesta quinta-feira depois de passar oito dias preso em Trípoli, em uma unidade militar de Sabratha. Ele foi interceptado pelas forças de Kadafi enquanto realizava a cobertura do conflito, no oeste da capital líbia. O repórter estava há 17 dias cobrindo os conflitos, e entrou clandestinamente no país, pela fronteira com a Tunísia, acompanhado do repórter do The Guardian, Ghaith Abdul-Ahad, que continua preso em Trípoli, segundo informações de Netto. "Estamos todos ativamente implicados na libertação dele, com contatos diplomáticos. Gostaria de aproveitar para fazer um apelo às autoridades brasileiras, e às autoridades líbias no Brasil, para que também trabalhem pela libertação do Gaith", disse Andrei. "Não existem razões legais para que ele tenha um tratamento diferente do meu." A libertação do jornalista ocorreu graças à intervenção do governo brasileiro e das boas relações do país com a Líbia. A própria presidente Dilma interviu, pedindo que as autoridades fizessem o máximo para libertá-lo o mais rápido possível.

Apesar de não ter sido agredido enquanto esteve detido, Netto levou uma coronhada na cabeça, foi encapuzado e teve os olhos vendados no momento da prisão. "Tenho milhões de lições para tirar, pensei muito durante o tempo preso. Pensava nas pessoas, sobre minha vida, sobre minha profissão e sobre meus rumos. Uma das grandes questões que me coloquei, era a importância que as pessoas, meus amigos, minha família, que a minha mulher, tem na minha vida. Uma das partes mais difíceis de toda essa história era o fato de não poder dar notícias, uma referência de vida, um sinal de que estava vivo e bem, independente de estar preso."

Andrei Netto, jornalista

Netto disse que, muitas vezes questionou se não estava indo longe demais. "Fiz essa pergunta muitas vezes. Mas acontece que nós conseguimos o inédito ingresso na região oeste da Líbia, numa situação que nos foi favorável, foi um momento favorável, de fragilidade do aparelho estatal da segurança, que nos permitiu fazer esse primeiro diagnóstico de como os rebeldes estavam conseguindo mostrar sua face numa região em que Kadafi alegava estar sob seu controle. Mas com o passardo tempo, o governo líbio conseguiu se rearticular e retomar o controle. E isso nos causou um transtorno além do desejado, sentimos que o cerco começou a apertar em torno do nosso trabalho."

 

 

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