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Acidente no Japão relança debate sobre produção nuclear na França

Manifestação de militantes ecologistas que protestam contra o uso da energia nuclear na França depois do vazamento de uma central no Japão.
Manifestação de militantes ecologistas que protestam contra o uso da energia nuclear na França depois do vazamento de uma central no Japão. Reuters

A tragédia que atingiu o Japão e a ameaça de um grave acidente nuclear como o de Tchernobyl, na Ucrânia, relançou na Europa o debate sobre o uso da energia nuclear.

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A França é segundo país com o maior número de reatores nucleares do mundo atrás dos Estados Unidos e à frente do Japão. Neste contexto, o acidente com a central de Fukushima provoca reações de políticos e militantes.

O eurodeputado verde Daniel Cohn-Bendit propôs nesta segunda-feira a ideia de se organizar um referendo para consultar a população sobre um eventual abandono da produção desse tipo de energia. Com 58 reatores espalhados no país, a maioria dos franceses mora a uma distância de 300 quilômetros em média de uma usina nuclear.

O primeiro-ministro François Fillon declarou que a França vai tirar as lições do desastre no Japão. A ministra da Ecologia, Nathalie Kosciusko Morizet, tem participado de programas na TV para explicar o que aconteceu nos reatores de Fukushima, lembrando que as 19 centrais nucleares francesas estão preparadas para resistir a catástrofes naturais e estão em zonas de baixa atividade sísmica. Só um pequeno número de usinas francesas se encontra em zona de risco, na linha dos Alpes, e todas passam por um rigoroso controle de manutenção a cada dois anos, segundo a ministra.

Desde a inauguração do primeiro reator, em 1956, a França nunca enfrentou um acidente nuclear maior, mas registrou centenas de incidentes. Como admite o presidente da agência francesa de segurança nuclear, o risco zero não existe. A média de idade dos reatores franceses, 25 anos, também preocupa os militantes antinuclear.

O acidente no Japão relançou o debate sobre a utilização da energia nuclear em toda a Europa. Os alemães, tradicionalmente avessos à energia atômica, lançaram um amplo debate. No sábado, a chanceler Angela Merkel anunciou uma inspeção minuciosa nos 17 reatores alemães. A Áustria propõe que todas as centrais nucleares europeias sejam submetidas a testes de resistência, como se fez com os bancos. O país apresenta nesta segunda-feira em Bruxelas a proposta de uma vistoria urgente em todos os sistemas de confinamento e resfriamento das usinas nucleares do bloco.
 

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