Líbia/França

Filho de Kadafi diz que Líbia financiou campanha de Sarkozy

Saif Al-Islam Kadhafi chamou Sarkozy de "palhaço" e pediu que ele devolva o dinheiro da Líbia
Saif Al-Islam Kadhafi chamou Sarkozy de "palhaço" e pediu que ele devolva o dinheiro da Líbia Reuters

O filho do líder líbio Mouammar Kadafi, Seïf Al-Islam, declarou nesta quarta-feira que a campanha presidencial de Nicolas Sarkozy foi financiada pelo governo líbio, e que, caso o governo francês não devolva o dinheiro, ele vai revelar detalhes da negociação.

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O filho de Kadafi chamou o presidente francês de “palhaço” e pediu a Sarkozy que devolva o dinheiro do país, caso contrário vai revelar tudo o que sabe. “Nós financiamos sua campanha e temos a prova. Pedimos a esse palhaço que devolva o dinheiro ao povo líbio. Nós o ajudamos para que trabalhe para o bem do povo líbio, mas ele nos decepcionou”, disse Seïf-Al-Islam em entrevista à Euronews. "Temos todos os detalhes, as contas bancárias, os documentos e as operações de transferência. Tudo será revelado dentro de pouco tempo", ameaçou, em entrevista à rede Euronews. A presidência francesa desmentiu as informações.

A posição do governo francês em relação ao conflito na Líbia irritou as autoridades do país. A França foi o primeiro país a reconhecer o Conselho Nacional de Transição, criado pelas forças rebeldes, como representante legítimo do povo líbio. Os franceses também têm defendido nas reuniões do Conselho de Segurança da ONU e com representantes da União Europeia uma intervenção ocidental, como a criação de uma zona de exclusão aérea. Reticente, a comunidade internacional não consegue chegar a um consenso sobre a questão.

Com o tempo, as forças pro-Kadafi foram retomando as cidades conquistadas pelos opositores, dificultando qualquer operação. Na verdade, o guia líbio está a um passo de retomar Benghazi, quartel-general das forças rebeldes. “Qualquer intervenção agora será tarde demais”, declarou Self-Al-Islam. "Em 48 horas tudo estará acabado. Todos que entraram em contato com os Estados Unidos, a Grã-Bretanha ou a França, todos que pediram o retorno das forças britânicas ou americanas, ou a invervenção da OTAN, estão fugindo em direção ao Egito", declarou.

Kadafi tem demonstrado publicamente seu descontentamento em relação à França. Nesta quarta-feira, o líder líbio disse, durante uma entrevista a um canal de TV alemão, que "seu amigo Nicolas Sarkozy estava ficando louco e sofria de um algum distúrbio psiquiátrico." A mobilização francesa contra Kadafi é de fato surpreendente, levando em conta que o país recebeu o líder líbio com honras de chefe de estado em dezembro de 2007, alguns meses após a eleição presidencial. Alegando ter fechado contratos de alguns bilhões de euros com o país, na época Sarkozy autorizou Kadafi até mesmo a instalar sua tenda nos jardins do hotel de Marigny, uma das residências da presidência, usada para receber hóspedes estrangeiros.
 

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