Líbia/ Rafale

Ação militar na Líbia vira publicidade para os caças franceses Rafale

Avião Rafale frances saindo da base da Corsega em direção a Líbia
Avião Rafale frances saindo da base da Corsega em direção a Líbia Reuters

A ocasião de colocar os Rafale franceses em ação, na operação militar internacional na Líbia, caiu como uma luva para a França, que tenta vender o caça a vários países, incluindo o Brasil. Fabricado pela Dassault, 15 Rafale vêm sendo vistos sobrevoando o espaço aéreo líbio desde sábado, para missões de reconhecimento ou de ataque a fim de assegurar o cumprimento da zona de exclusão do espaço aéreo líbio, autorizada pela ONU.

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Especialistas avaliam que a demonstração inesperada das capacidades do avião de guerra servirá de publicidade frente aos possíveis compradores do equipamento. “A Líbia pode ser uma forma de fazer publicidade do Rafale graças ao retorno oferecido por experiências de combate”, afirmou Jean-Pierre Maulny, diretor-adjunto do Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas (Iris), em Paris, à agência AFP. “O Rafale já está em ação no Afeganistão, em um conflito que não é popular. Agora, o fabricante não vai hesitar a falar sobre o seu produto.”

Além dos 15 aviões que já estão atuando, outros oito caças franceses estão à espera de ordens no porta-aviões nuclear Charles de Gaulle. Apesar de ser considerado um sucesso técnico – ele é capaz de substituir sete tipos distintos de aviões simultaneamente -, o Rafale é também um fracasso comercial: a França jamais conseguiu vendê-lo a clientes estrangeiros. As negociações estão em curso com oito países, de acordo com o diretor-presidente da Dassault Aviation, Charles Edelstenne.

No caso do Brasil, o caça francês concorre com o americano F-18, da Boeing, e o sueco Gripen, da Saab. Os outros países que estudam a compra do avião são os Emirados Árabes, a India, o Kwait, o Catar, a Suíça, a Grécia e até mesmo a Líbia.

"As intervenções na Líbia vão nos ajudar a vendê-los", disse uma fonte anônima ligada às negociações. No caso do Catar, o momento pode ser ainda mais favorável, uma vez que o país está engajado ao lado da coalizão que atua na Líbia e vai poder conferir de perto a performance do avião francês.

Ouvido pela AFP, um analista da Kepler Capital Markets, Christophe Ménard, avalia que « um conflito permite demonstrar verdadeiramente as capacidades de um aparelho". "A Líbia representa uma vitrine tecnológica, desde que não aconteça a perda de nenhum aparelho", destacou Ménard.

Uma pessoa próxima à Dassault, que também preferiu não ser identificada, ainda lembrou que os aviões Mirage só viraram o preferido mundial após serem vistos atuando na Guerra dos Seis Dias, em 1967, quando foram utilizados pelo Exército israelense. “Um avião de combate nunca é tão bem vendido quanto depois de ser confirmado como apto ao combate.”

A situação na Líbia é diferente, ressalta a fonte, porque o Rafale não está enfrentando um avião do mesmo nível, já que a força aérea líbia é defasada.
 

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