França/ política

Debate sobre laicidade volta a provocar polêmica

Jean François Copé, líder do partido UMP, do presidente Nicolas Sarkozy.
Jean François Copé, líder do partido UMP, do presidente Nicolas Sarkozy. Reuters

A defesa do Estado laico provoca nova polêmica na França. Os representantes das seis principais crenças do país se uniram para se pronunciar hoje contra um debate nacional sobre a laicidade, desejado pelo partido do presidente Nicolas Sarkozy, o UMP (de direita).

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A discussão deve levar a uma convenção sobre o assunto organizada pelo partido, programada para acontecer no dia 5 de abril.

Reunidos na Conferência dos Responsáveis de Cultos na França, os líderes religiosos católico, protestante, ortodoxo, judeu, muçulmano e budista assinaram hoje uma carta conjunta publicada no jornal Le Parisien, protestando contra o debate. Eles desejam não entrar em polêmicas e evitar qualquer risco de estigmatização das religiões.

Os religiosos ainda questionam se um partido, sozinho, é a melhor instância para coordenar a discussão da laicidade no país, considerada por eles como "uma preciosa conquista". Analistas estimam que, com o debate, o UMP deseja agradar e conquistar o eleitorado de extrema-direita, que vem preocupando o cenário das eleições presidenciais de 2012, de acordo com as últimas pesquisas eleitorais divulgadas. O tema da defesa da laicidade é um dos preferidos da Frente Nacional, principal força da extrema-direita francesa, e é usado como argumento para criticar as práticas religiosas principalmente dos fieis ao Islã.

Na segunda-feira, o secretário-geral do UMP, Jean François Copé, criticou diretamente o primeiro-ministro, François Fillon, por questionar a necessidade da discussão sobre a neutralidade religiosa na França, desejada por Sarkozy, e que, segundo Fillon, poderia levar à estigmatização ainda maior dos muçulmanos no país. A crítica foi feita um dia após a direita tradicional francesa sofrer uma derrota significativa nas urnas, nas eleições locais, nas quais conquistou 20,3% dos votos, atrás dos 34,7% obtidos pela esquerda e à frente dos 11,6% da extrema-direita.
 

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