AF447/acidente

Agência francesa desmente que caixas-pretas do AF447 foram localizadas

Destroços do AF 447
Destroços do AF 447 Reuters

O BEA, a agência civil francesa que investiga as causas do acidente do voo AF447, negou nesta quarta-feira que as caixas-pretas do Airbus 330 tenham sido localizadas, mas esclareceu que é possível que elas estejam na cauda do avião, encontrada no início do mês. A operação para retirada da peça será prioritária na fase 5 e será acompanhada por um observador do governo brasileiro.

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De acordo com a assessora do BEA, Martine Del Buono, as caixas pretas podem estar acopladas à cauda do avião, o que só poderá ser confirmado na fase 5, que começa em maio. A peça foi descoberta ao lado de outros destroços e corpos dos passageiros, no início do mês. "Nosso robô fez a foto da cauda. Outra hipótese é que as caixas-pretas tenham sido projetadas para fora do avião", declarou. Caso isso tenha ocorrido, os técnicos do BEA acreditam que os aperelhos estejam próximos da cauda, no perímetro do acidente, uma área de aproximadamente 1200 km2. "Isso é o que vem sendo dito pelo diretor do BEA, Jean Paul Troadec, desde a fase 3", afirmou Del Buono.

Para o diretor-executivo da Associação dos Familiares do voo AF447, Marteen Van Sluys, é praticamente impossível que as caixas-pretas tenham se deslocado da cauda. "Isso jamais ocorreria. Estando a fuselagem em ótimas condicões, como vimos, é perfeitamente possível deduzir que as caixas estão lá e em excelentes condições. Ou seja, é dado como quase certo que serão achadas, mesmo que não estejam mais emitindo os sinais eletrônicos, no ato da retirada dos destroços", disse à RFI. Segundo Sluys, como as caixas-pretas são fabricadas para suportar impactos maiores do que a própria fuselagem, parece lógico que elas estejam intactas.

De acordo com a assessora, mais de 15 mil fotos foram tiradas na fase 4, que ainda estão sendo analisadas. Del Buono também confirmou que o navio Ile de Sein, que deixa o Cabo Verde em direção à área do acidente no dia 21 de abril, estará equipado de um robô capaz de içar a cauda do avião. E essa operação será prioritária na fase cinco, que deve ser detalhada para a imprensa na próxima semana. A retirada dos corpos e destroços deve começar no dia 3 de maio, de acordo com os familiares das vítimas que participaram de uma reunião nesta segunda-feira com o BEA e representantes do governo francês, em Paris. Segundo Van Sluys, as associações pediram que as famílias "sejam priorizadas na recepção de informações vitais, em especial aquelas relativas aos corpos."

Em um comunicado, as forças armadas brasileiras confirmaram nesta quarta-feira que enviarão um observador para acompanhar o resgate da fase 5, que terá participação do CENIPA(Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos). De acordo com o texto, " a presença de um representante é uma garantia que a investigação seja transparente e de acordo com as normas internacionais."

O Airbus330 da Air France, que fazia a rota Rio-Paris , caiu no oceano Atlântico no dia 31 de maio de 2009. As causas do acidente nunca foram esclarecidas, mas um defeito nos sensores Pitot, que medem a veloidade, são apontados como um dos responsáveis pela queda da aeronave.
 

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