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AF447/Acidente

Equipe de busca resgata segunda caixa-preta do voo AF447

A caixa-preta contendo as gravações das conversas entre os pilotos do voo AF 447 foi encontrada inteira.
A caixa-preta contendo as gravações das conversas entre os pilotos do voo AF 447 foi encontrada inteira. BEA
Texto por: Adriana Moysés | Silvano Mendes
3 min

Quase dois anos após o acidente do Airbus AF447 da Air France, que caiu durante um voo entre o Rio de Janeiro e Paris, as equipes de busca encontraram a segunda caixa-preta da aeronave. O equipamento, que contém a gravação das conversas dos pilotos, poderá ajudar e entender as causas da catástrofe que matou 228 pessoas no dia 31 de maio de 2009.

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A segunda caixa-preta do avião foi retirada do mar na noite desta segunda-feira. Em comunicado oficial, a BEA, a agência francesa encarregada das operações de busca, explica que o Cockpit Voice Recorder (CVR), aparelho que grava as conversas dos pilotos na cabine de comando da aeronave, foi localizado e identificado às 21h50 GMT de segunda-feira (17h50 hora de Brasília). O equipamento foi levado a bordo do navio Ile de Sein pelo robô Remora 6000 às 2h40 GMT (22h40 hora de Brasília). De acordo com a agência, a caixa-preta está em bom estado de conservação. “O chassi está inteiro e globalmente o aspecto exterior da caixa é bom”, declarou o diretor da BEA, Jean Paul Troadec, em entrevista exclusiva à RFI.

Entrevista com Jean Paul Troadec, diretor da BEA

“Se nós conseguirmos ler o conteúdo das duas caixas-pretas, poderemos entender o que aconteceu”, comentou Troadec. A leitura dos dados pode levar algumas semanas, mas tudo vai depender do nível de corrosão das peças, após 23 meses submersas a cerca de 4 mil metros de profundidade, o que pode tornar a recuperação das informações mais complicada, analisa o responsável da BEA. Ele explicou que todas as etapas serão filmadas, gravadas e assistidas por um oficial de justiça. “A leitura das caixas-pretas também será acompanhada pelo representante do governo brasileiro, o coronel da Aeronáutica Luis Claudio Lupoli”, frisou Troadec.

As equipes já haviam retirado do mar no domingo a primeira caixa-preta, o Flight Data Recorder (FDR), equipamento que registra os parâmetros do voo. As duas caixas foram lacradas e colocadas em um contêiner com água para conservá-las em seu estado atual. Elas ficarão submersas até o momento da perícia, que não deve começar antes da semana que vem, pois de acordo com normas da justiça francesa, as peças devem ser recuperadas pela Marinha do país e transferidas para Caiena, na Guiana Francesa, antes de serem enviadas de avião para Paris. A análise dos dados deve ser iniciada em oito dias no aeroporto de Bourget, perto da capital francesa.

O secretário francês dos Transportes, Thierry Mariani, disse que o sucesso da operação “confirma que os meios colocados à disposição para as investigações eram necessários”. O diretor-geral da Air France-KLM, Pierre-Henri Gourgeon, lembrou que o investimento financeiro do poder público na operação foi inédito. As buscas dos destroços do AF447 já custaram aos cofres franceses cerca de 35 milhões de euros (80 milhões de reais).

Vítimas

As famílias das vítimas comemoraram a recuperação das caixas-pretas do AF447. “Trata-se de uma boa notícia, principalmente porque o aparelho está inteira”, disse o presidente da associação francesa Entraide et Solidarieté, Jean-Baptiste Audosset.

Ele explicou que as famílias esperam informações sobre o conteúdo das gravações, mas também sobre o resgate dos corpos. Essa parte da operação depende da justiça francesa, que já alertou para as dificuldades da possível retirada dos restos das vítimas do fundo do mar. 
 

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