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Advogados divulgam detalhes de encontro entre Strauss-Kahn e escritora

Strauss-Kahn afirma que soltou Tristane Banon depois de tentar beijá-la.
Strauss-Kahn afirma que soltou Tristane Banon depois de tentar beijá-la. Reuters

Os advogados do ex-diretor do FMI, Dominique Strauss-Kahn, divulgaram nesta sexta-feira à imprensa trechos inéditos da acareação na polícia, em 29 de setembro, para averiguar as denúncias de tentativa de estupro feitas pela escritora francesa Tristane Banon.

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Em um comunicado, os advogados de Strauss-Kahn, Henri Leclerc et Frédérique Beaulieu, afirmam que as pessoas são livres para julgar o comportamento do ex-diretor do FMI, "mas de maneira alguma ele constitui, juridicamente, uma agressão sexual. Os fatos descritos por Tristane Banon são fruto de sua imaginação", diz o texto. O Ministério Público anunciou o arquivamento das acusações nesta quinta-feira, reconhecendo o delito de agressão sexual, que teria ocorrido em julho de 2003, mas prescreveu em 2006.

Em seu depoimento, o diretor do FMI confirma ter tentado beijar a escritora, durante uma entrevista em apartamento em Paris. ‘Tristane Banon chegou, nós nos sentamos, ela em uma poltrona e eu no sofá. Depois de 25, ou 30 minutos, ela terminou de fazer suas perguntas e conversamos de outros assuntos. Houve uma paquera entre a gente e adotamos um tom mais informal na nossa conversa.’

Em seguida, Strauss-Kahn, deputado na época dos fatos, diz ter perguntado para Banon, então com 22 anos, amiga de sua filha, quais eram suas preferências artísticas e literárias e que tipo de viagem ela gostava de fazer. "Tentei agarrá-la e beijá-la. Ela me empurrou com firmeza, e disse, claramente : ‘o que é isso ?' Eu a larguei, ela pegou suas coisas e deixou o apartamento, furiosa."

A versão de Banon é bem diferente. A escritora afirma que Strauss-Kahn se jogou em cima dela e arrancou um pedaço de sua roupa, antes de conseguir escapar. Apesar da prescrição do delito, a escritora ainda tem a possibilidade de prestar queixa e se habilitar como parte civil. Desta maneira, o caso seria obrigatoriamente enviado para um juiz de instrução para uma nova análise. Juridicamente, caracterizar o crime de tentativa de estupro implica em obter provas de que o ato não foi consumado por uma razão independente à vontade do autor. Os advogados da escritora ainda não anunciaram a decisão de levar o caso adiante.
 

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