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França/Polêmica

Ex-ministra francesa cai em trote e coloca partido em maus lençóis

A ex-ministra Nadine Morano.
A ex-ministra Nadine Morano. RFI
Texto por: Taíssa Stivanin
3 min

A ex-ministra do Aprendizado Nadine Morano, uma das personalidades da política francesa mais conhecidas no Twitter, colocou seu partido, o UMP do ex-presidente Nicolas Sarkozy, em uma situação delicada. Ela deu declarações polêmicas por telefone a um humorista de rádio que se passou por um membro da extrema-direita.

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O imitador francês Gérald Dahan, que apresenta um programa na Radio Sud, é conhecido pelos seus falsos telefonemas, que já deixaram muitos políticos em situações constrangedoras. Desta vez, a ‘vítima’ foi a ex-ministra Nadine Morano, candidata às legislativas, que tenta conquistar parte do eleitorado da Frente Nacional, partido de extrema-direita.

Dahan se passou por Louis Aliot, número 2 da Frente Nacional, e telefonou para o celular da ex-ministra nesta sexta-feira pela manhã. O problema é que ela não esconde sua simpatia pelo partido : diz que Marine Le Pen, a chefe da Frente Nacional, ‘’tem muito talento’’, e acrescenta : ‘’não quero que a França se transforme no Líbano’’, dizendo que o UMP, do ex-presidente Nicolas Sarkozy, e o partido de extrema-direita, ‘’tinham interesses comuns.’’ O telefonema que foi ao ar o vivo na Radio Sud, logo tomou conta das redes sociais. Morano, aliás, é uma das personalidade mais conhecidas do Twitter, com mais de 90 mil seguidores.

A ex-ministra disse que vai prestar queixa, dizendo que foi manipulada pelo humorista, ‘’um militante socialista’', disse. Dahan negou qualquer tipo de manipulação, e respondeu que suas ‘vítimas’ pertencem a todos os partidos. Em 2007, ele também conseguiu enganar a então candidata à presidência, Segolène Royal. Mesmo tentando amenizar a gafe, Morano foi criticada pelo seus próprios partidários. O ex premiê François Fillon, por exemplo, declarou que ‘’ela deveria ter desligado rapidamente, porque nós, do UMP, não conversamos com dirigentes da FN.’’

A aproximação entre o UMP e a Frente Nacional veio à tona durante a campanha presidencial, quando o então presidente Nicolas Sarkozy passou a defender medidas mais radicais para conquistar o  eleitorado de extrema-direita. Entre elas, a redução de 50% do número de imigrantes, e a retirada da França do Espaço Schengen caso a Europa não assegurasse corretamente o controle de suas fronteiras. Mas o partido jamais admitiu qualquer tipo de aliança com a Frente Nacional.

Paralelamente, a porcentagem obtida pela líder do partido de Marine Le Pen no primeiro turno das eleições presidenciais, que chegou a 17,9%, mostrou que a Frente Nacional deixou de ser alvo do repúdio de boa parte da população, e seu discurso radical aos poucos se transforma em algo banal, revelando uma mudança na paisagem política da direita francesa. O segundo turno das eleições legislativas, que ocorrem neste domingo, poderá confirmar o retorno da extrema-direita à Assembleia Nacional  francesa. A expectativa é de que sejam eleitos de três a quatro deputados do partido de Le Pen.

 

 

 

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