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Strauss Kahn/livro

Livro revela detalhes da vida dupla de Strauss-Kahn

O ex-diretor do FMI, Dominique Strauss-Kahn, votando em Sarcelles, no segundo turno das eleições presidenciais francesas.
O ex-diretor do FMI, Dominique Strauss-Kahn, votando em Sarcelles, no segundo turno das eleições presidenciais francesas. REUTERS/Gonzalo Fuentes
Texto por: Taíssa Stivanin
5 min

Mais de um ano depois do escândalo envolvendo o ex-diretor do FMI, Dominique Strauss-Kahn, e meses de investigação depois, as jornalistas do Le Monde Raphaëlle Bacqué e Ariane Chemin acabam de lançar na França o livro ‘’Os Strauss-Kahn’’, que conta a decadência do favorito às eleições presidenciais francesas, neste ano.

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A história do ex-diretor do FMI ganhou as páginas dos jornais do mundo todo e colocou fim às ambições políticas de um dos homens mais poderosos da França. A acusação de agressão sexual, feita em maio de 2011 por uma camareira do hotel Sofitel em Nova York, foi o início de uma série de denúncias que trouxeram à tona detalhes de sua vida pessoal e revelaram o envolvimento em uma rede de prostituição no hotel Carlton, em Lille. Uma verdadeira novela política sem final feliz, que levou as jornalistas do Le Monde Raphaëlle Bacqué e Ariane Chemin, conhecida pelas reportagens investigativas da política francesa, realizar uma série de entrevistas sobre o caso e lançar o livro "Os Strauss-Kahn", publicado pela editora Albin Michel. As duas concederam uma entrevista coletiva em Paris nesta segunda-feira.

Ex-diretor do FMI tinha sete celulares

O livro revela, por exemplo, que Strauss-Kahn tinha sete telefones celulares, para conseguir conciliar sua vida profissional, seu casamento com a jornalista Anne Sinclair, e as inúmeras aventuras extra-conjugais, que incluíam casos amorosos e noitadas em clubes de swing. "O que nos impressionou durante a investigação, foi constatar que havia uma certa incredulidade da parte de quem se encontrava com ele, inclusive nessas noitadas", conta Raphaëlle Bacqué." Durante nossas entrevistas, frequentemente, as pessoas diziam: "mas é um sósia! Não pode ser ele!" É preciso ter disciplina para participar das eleições presidenciais. Então havia uma incredulidade em acreditar que esse homem se arriscaria dessa maneira, tendo essa ambição."

Strauss-Kahn mentiu a seus correligionários

De acordo com as jornalistas, Strauss-Kahn mentiu a seus partidários do PS sobre sua vida dupla, afirmando que tinha deixado de participar das festas sexuais. O tema também era difícil de ser abordado pelos seus correligionários, como explica Ariane Chemin. Segundo ela, o atual chanceler francês Laurent Fabius, por exemplo, não tinha "coragem" de perguntar a Strauss-Kahn se ele tinha colocado um ponto final nas noitadas em clubes de swing, e chegou a pedir à Martine Aubry, secretária-geral do PS e que ambicionava a presidência, que o fizesse.

A preocupação geral em torno do comportamento de Strauss-Kahn não impediu que o ex-diretor do FMI continuasse suas aventuras, revela o livro. E o envolvimento na rede de prostituição no hotel Carlton, em Lille, foi a prova. "Esse caso marcou sua entrada em uma espécide de clandestinidade, em um novo círculo, sem nenhuma relação com seus conselheiros políticos, em um mundo completamente paralelo", explicam as jornalistas. As autoras também traçam o perfil de um homem que adora correr riscos. Strauss-Kahn, por exemplo, que é um hábil esquiador, gostava de procurar pistas fora dos circuitos traçados, onde o risco de acidente é muito maior.

Envolvimento em rede de prostituição destruiu carreira de Strauss-Kahn

As jornalistas, que tentaram falar com Strauss-Kahn e Anne Sinclair, mas tiveram seus pedidos de entrevista recusados, também explicam que, mesmo se fosse eleito, ele provalmente não conseguiria esconder seu comportamento por muito tempo e manter as aparências. Para satisfazer seus impulsos, ele se envolveu em uma rede de pessoas influentes que dificilmente continuariam no anonimato por tempo indeterminado, acredita Ariane Chemin, que compara o caso à descoberta da filha ilegítima do ex-presidente François Miterrand, Mazarine Pingeot.

Ainda segundo as jornalistas, o ex-diretor do FMI até pensou em retornar à cena política depois de ser inocentado da acusação de agressão no hotel Sofitel, como aconteceu com o ex-presidente americano Bill Clinton. Mas o caso Carlton enterrou definitivamente sua carreira. Nesta quarta-feira, uma nova audiência deveria acontecer no Tribunal de Douai, mas deverá ser adiada, segundo a Promotoria. Em setembro, a justiça americana também deve anunciar o veredito do processo que tramita na Vara Cível contra Strauss-Kahn, depois da acusação da camareira do Sofitel, Nafissatou Diallo, que já perdeu a causa na Vara Penal.

 

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