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BEA/AF447

BEA divulga relatório final do AF447 nesta quinta-feira

Coletiva do BEA (Birô de Investigações e Análises), escritório francês que investiga a segurança na aviação civil
Coletiva do BEA (Birô de Investigações e Análises), escritório francês que investiga a segurança na aviação civil T.Stivanin
Texto por: Taíssa Stivanin
3 min

Mais de três anos depois da queda do voo 447, no dia 31 de maio de 2009, que fazia a rota Rio-Paris, a BEA, a agência civil que investiga as causas do acidente, divulga nesta quinta-feira o relatório final sobre o acidente. O documento deverá revelar os fatores que provocaram a catástrofe e trará recomendações de segurança para evitar uma nova catástrofe.

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O que aconteceu nos últimos três minutos e meio do voo AF447? Os mistérios que envolvem uma das piores catástrofes da história da aviação, que matou 228 pessoas, deverão finalmente ser desvendados nesta quinta-feira. O documento deverá elucidar como os problemas técnicos afetaram a atitude dos pilotos, levando a aeronave à perda de sustentação e queda.

Segundo a BEA antecipou à RFI em 30 de maio, o relatório trará uma recomendação sobre o alarme de perda de sustentação, que será feita à AESA (Agência Europeia de Segurança Aerea). Ela foi retirada do relatório de etapa publicado em julho de 2011, por falta de elementos conclusivos, de acordo com a própria agência civil francesa. Os técnicos do BEA deverão solicitar que ‘’o funcionamento do alarme não leve em consideração as velocidades errôneas.’’ Esse documento foi criticado pelas associações de familiares das vítimas por atribuir a responsabilidade da queda principalmente aos pilotos.

A velocidade do avião é indicada pelos sensores Pitot, que congelaram durante o voo e deram início à série de incidentes que culminaram na tragédia. Durante a investigação, o diretor da BEA, Jean Paul Troadec, insistiu que os pilotos deveriam estar preparados para lidar com o congelamento das sondas, um fenômeno comum em alta altitude. As gravações da caixa-preta mostram, entretanto,que as velocidades errôneas, fornecidas ao piloto, podem ter tido um papel fundamental no desenrolar do acidente.

Computador de bordo pode ter falhado

Um novo elemento relativo ao papel do computador de bordo veio à tona nesta quarta-feira, no relatório entregue pela Justiça francesa aos advogados da Airbus e a Air France, indiciadas por homícidio culposo. Segundo o presidente do SNPL (Sindicato dos Pilotos de Linha), Yves Deshayes, o sindicato majoritário da Air France, o documento mostra que o computador de bordo do A330 entrou em pane e deu a informação errada aos pilotos. O equipamento à tripulação que seria necessário cabrar o avião (empinar) para evitar a perda de sustentação, quando, na realidade, ele deveria ter executado a manobra contrária, ou seja, picar (empurrar o nariz para baixo.)

O relatório da Justiça também deixa claro que, se não fosse o defeito dos sensores Pitot, o acidente não teria ocorrido. ‘’Isso é certo. Se as sondas Pitot não tivessem congelado, não existiria acidente”, diz o presidente do SNPL. Depois da tragédia, o treinamento dos pilotos também mudou. O procedimento para recuperar o avião em stall foi revisto, diz Deshayes, e agora é bem conhecido dos pilotos. ‘’Agora sabemos que é preciso reduzir o motor para abaixar o nariz do avião'', disse à RFI.
 

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