França/Política

Rivais Fillon e Copé anunciam vitória na eleição para líder da direita francesa

François Fillon (à esq.) e Jean-François Copé se anunciaram vitoriosos antes do fim da apuração dos votos para a presidência do principal partido de oposição.
François Fillon (à esq.) e Jean-François Copé se anunciaram vitoriosos antes do fim da apuração dos votos para a presidência do principal partido de oposição. REUTERS/Benoit

Os partidários de Jean-François Copé e de François Fillon continuam a reivindicar a vitória na eleição interna para a presidência da UMP (União por um Movimento Popular), o principal partido de oposição na França. Até o início da tarde desta segunda-feira, no horário local, ainda não era possível apontar um vencedor.

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O atual secretário geral do partido, Jean-François Copé, e o ex-primeiro-ministro, François Fillon, se consideram ambos vencedores desse escrutínio que corre o risco de dividir por um bom tempo o partido. Os dois candidatos denunciaram fraudes em alguns locais de votação.

A comissão encarregada de apurar os votos retomou na manhã desta segunda-feira a contagem, que havia sido interrompida durante a noite.

"Os resultados que anunciamos ontem à noite parecem se confirmar", declarou à imprensa o ex-ministro Christian Estrosi, partidário de François Fillon.

"Atualmente, para nós, representantes de François Copé, a vantagem que havíamos notado ontem não foi alterada, ela até aumentou", afirmou por sua vez Roger Karoutchi, diretor de campanha de Jean-François Copé.

Copé avaliou no domingo à noite que tinha pouco mais de mil votos de vantagem, enquanto François Fillon afirma que está na frente com uma vantagem de 224 votos.

Até o início da tarde desta segunda-feira, a apuração havia sido validada em cerca de 60 departamentos (divisão administrativa da França), ou seja dois terços do total.

O processo de contagem avança de maneira lenta mas segura, em um ambiente "sereno e construtivo", segundo Christian Estrosi. Ele espera que os resultados possam ser anunciados na noite desta segunda-feira.

Os partidários de Copé também dizem que o clima é "clamo", após a troca de farpas que antecedeu a votação. De acordo com Roger Karoutchi, ao final da apuração haverá ainda alguns "casos problemáticos" e a comissão de controle se reunirá sozinha, sem os representantes dos candidatos, para decidir sobre os litígios que não obtiverem um acordo entre as duas partes.

A profunda divisão dentro do principal partido de direita na França é o tema dominante no noticiário político francês desta segunda-feira. O prefeito de Bordeaux e fundador da UMP, Alain Juppé, avaliou nesta segunda-feira que "a própria existência da UMP está em risco devido ao confronto entre Jean-François Copé e François Fillon pela presidência", mas garantiu que ambos lhe haviam dito estarem dispostos a aceitar a decisão da comissão de controle do partido.

O ex-primeiro-ministro insistiu que os dois campos devem parar de se insultar. Enfatizando que a situação da França é "grave", Juppé afirmou que o país precisa "de tudo menos do espetáculo que a UMP está dando hoje".

Do outro lado do espectro político, o primeiro secretário do Partido Socialista, Harlem Désir, lamentou a "guerra de chefes" no interior da UMP. "Hoje a situação da UMP está marcada pela confusão, a contestação e a divisão", disse ele, enfatizando o contraste com as primárias organizadas pelo seu próprio partido, que foram "exemplares" e "transparentes".

 

 

 

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