Crise na UMP

Le Pen: "A UMP acabou de uma vez por todas"

A presidente da Frente Nacional, Marine Le Pen
A presidente da Frente Nacional, Marine Le Pen REUTERS/Vincent Kessler

Em entrevista concedida nesta sexta-feira à rede francesa BFMTV, a presidente do partido de extrema-direita Frente Nacional, Marine Le Pen decretou a morte da UMP (União por um Movimento Popular), partido de Nicolas Sarkozy. De acordo com ela, a sigla é o "sindicado de defesa dos interesses eleitorais de seus membros e esta é a razão pela qual ela se desintegra desta maneira; são as ambições deles que se chocam". A ex-candidata à presidência chamou a disputa fratricida de "baile dos hipócritas".

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"A UMP acabou de uma vez por todas", afirmou. Para ela, é absolutamente inviável que "essa gente" que se xingou mutuamente de "ladrões", "podres" e "trapaceiros" volte a trabalhar junta. "Nenhum presidente que surja nestas condições é legítimo. A única possibilidade que sobrou para eles foi refazer as eleições". E ironizou: "Se eles precisarem de conselhos, é bem fácil..."

Por fim, Le Pen comemorou o crescimento da Frente Nacional impulsionado pela crise do maior partido da oposição. "Nos últimos três dias, o número de adesões que fazemos diariamente dobrou ou triplicou". O partido de centro-direita UDI, comandado por Jean-Louis Borloo, também registrou uma forte alta de filiações nos últimos dias.

Luta fratricida
Após quatro dias de guerra interna na UMP , os rivais Jean-François Copé e François Fillon, ex-primeiro-ministro, aceitaram na noite desta quinta-feira a mediação de Alain Juppé.

Fundador e primeiro presidente da UMP, o prefeito de Bordeaux vai tentar resolver o litígio sobre os resultados da eleição interna à presidência do pricipal partido de oposição na França. Os dois candidatos trocam acusações de fraude, e a UMP é criticada pela desorganização do pleito. François Fillon contesta a vitória de Copé com apenas 98 votos de vantagem. Alain Juppé vai presidir uma comissão de cinco membros que deve divulgar suas conclusões em até duas semanas.

Apontado por muitos militantes e eleitores da UMP como a única pessoa que pode reunificar o partido, o ex-presidente Nicolas Sarkozy escapou ontem de um indiciamento no processo sobre a fortuna da herdeira da l'Oréal, Liliane Bettencourt, que teria sido em parte espoliada.

Depois de mais de 12 horas de depoimento aos juízes encarregados do caso em Bordeaux, ele foi considerado ontem à noite pelo tribunal uma "testemunha assistida", a meio caminho entre uma simples testemunha e um indiciado. Se novos elementos surgirem, no entanto, Sarkoy ainda pode ser indiciado.

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