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Exílio fiscal

Depardieu escolhe casa na Mordóvia oferecida pelas autoridades russas

Com ares de velhos amigos, Depardieu abraça Putin em agradecimento à concessão da nacionalidade russa.
Com ares de velhos amigos, Depardieu abraça Putin em agradecimento à concessão da nacionalidade russa. REUTERS
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O ator francês Gérard Depardieu, que recebeu ontem um passaporte russo oferecido pelo presidente Vladimir Putin, desembarcou hoje na região da Mordóvia, no Volga. Ele foi recebido com fanfarra no aeroporto de Saransk, cidade localizada a 640 km de Moscou. O governador local, Vladimir Volkov, disse a Depardieu que ele poderia escolher a casa ou o apartamento que desejasse para se instalar na região.

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O exílio fiscal de Depardieu, motivado pelo aumento dos impostos decretado pelo governo socialista de François Hollande, virou um folhetim diário. A Mordóvia, nos confins da Rússia, está longe de ser conhecida por sua hospitalidade e atrações turísticas, sendo famosa pelos seus campos de prisioneiros. Uma das cantoras do grupo punk Pussy Riot cumpre pena de dois anos num centro de detenção da região.

No sábado à noite, Depardieu teve um rápido encontro com Putin no balneário de Sotchi, no mar Negro. Como o ator faz uma viagem privada, o Kremlim não revelou detalhes das conversas. O ator francês é extremamente popular na Rússia, onde mantém amizades com figurões de perfil duvidoso e faz papel de garoto propaganda de uma marca de ketchup e do banco Sovietski, entre outras proezas.

Guerra fiscal

Depardieu decidiu ir embora da França depois que o governo socialista anunciou a criação da alíquota de 75% de imposto de renda para contribuintes com renda superior a 1 milhão de euros por ano. A medida acabou sendo censurada pelo Conselho Constitucional, mas o governo advertiu que prepara um novo projeto de lei que vai na mesma direção.

Hoje, o ministro do Planejamento francês, Jerôme Cahuzac, afirmou que o novo dispositivo, apresentado inicialmente para durar dois anos, poderá ser aplicado durante os cinco anos do mandato presidencial. Na Rússia, o sistema fiscal impõe uma alíquota única de 13% para todos os contribuintes.

Em dezembro, Depardieu publicou uma carta aberta ao primeiro-ministro Jean-Marc Ayrault informando que abria mão da cidadania francesa, em resposta ao fato de Ayrault tê-lo chamado de medíocre. O comentário surgiu quando a imprensa noticiou que Depardieu tinha comprado uma casa na Bélgica para estabelecer novo domicílio fiscal.

Depardieu tem dois dilemas pela frente. Pela legislação francesa, com um passaporte russo em mãos, ele tem um ano para abrir mão da nacionalidade que o tornou famoso no mundo todo. O ator também terá que fazer média com as autoridades belgas, que estavam dispostas a lhe conceder um passaporte, mas desaprovam o acúmulo de várias nacionalidades.
 

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