França/economia

Sindicatos buscam acordo para flexibilizar mercado de trabalho francês

Laurence Parisot, do Medef, e Bernard Thibault da CGT durante encontro com o Primeiro-ministro Jean-Marc Ayrault em 5 de junho 2012.
Laurence Parisot, do Medef, e Bernard Thibault da CGT durante encontro com o Primeiro-ministro Jean-Marc Ayrault em 5 de junho 2012. REUTERS/Julien Muguet

Na França, empresários e sindicatos de trabalhadores voltam a se reunir a partir desta quinta-feira para dois dias de intensas negociações com o objetivo de concluir um acordo para acelerar a reforma do mercado de trabalho. O governo do presidente François Hollande espera que o acordo possa contribuir para melhorar a competitividade do país e inverter a curva crescente do desemprego que atinge atualmente 10,8% da população economicamente ativa.

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O acordo entre empresários e trabalhadores deveria ser sido concluído em dezembro mas foi adiado devido às grandes divergências. O sindicato patronal francês (Medef) exige maior flexibilização dos contratos de trabalho com regras mais simples para contratar e também demitir seus empregados.

As centrais sindicais lutam para garantir uma segurança mínima do emprego. Atualmente, o mercado de trabalho na França funciona basicamente com dois tipos de contrato: o CDI, de duração indeterminada, onde dificilmente o empregado é demitido, só quando comete uma falta grave, e o CDD, de duração de até dois anos, considerado precário.

Esses contratos temporários são os mais usados pelas empresas nos últimos anos até de maneira abusiva, segundo os sindicatos. Só com contratos mais flexíveis as empresas francesas serão mais competitivas, martelam os empresários.

Mas em troca, as centrais exigem por exemplo seguro-saúde universal, mais direitos para recorrer ao seguro-desemprego, limitação do tempo parcial de trabalho a ser proposto pelas empresas e maior taxação sobre os contratos temporários, que está sendo estudada também pelo governo.

As negociações são feitas sob a pressão das agências de notação de risco que ameaçam rebaixar a nota da França caso o país não consiga reformar as regras de seu rígido mercado de trabalho. Pesquisa divulgada nesta quinta-feira revela que 72% dos franceses não querem o fim do contrato de duração indeterminada.

 

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