França/Política

Em entrevista na TV, Hollande mantém rumo de seu governo e promete reduzir desemprego

O presidente François Hollande concedeu uma entrevista ao vivo na televisão estatal francesa nesta quinta-feira, 28 de março de 2013, para explicar sua política de governo aos franceses.
O presidente François Hollande concedeu uma entrevista ao vivo na televisão estatal francesa nesta quinta-feira, 28 de março de 2013, para explicar sua política de governo aos franceses. France 2

Diante da impaciência dos franceses após dez meses de governo socialista, o presidente François Hollande tentou reforçar sua credibilidade nesta quinta-feira, 28 de março de 2013, anunciando ao vivo na televisão medidas de rigor como o novo imposto de 75% para os mais ricos, a reforma dos benefícios sociais ou o aumento do tempo de contribuição para a aposentadoria.

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Em tom didático, François Hollande garantiu que sua prioridade é o emprego e seu objetivo é o crescimento, mas reconheceu que o número de desempregados "vai aumentar até o final do ano". Ele foi entrevistado durante 1h15 ao vivo pelo jornalista David Pujadas no canal de televisão estatal France2.

O desemprego na França está quase batendo o recorde atingido em 1997. Para combatê-lo, o presidente afirmou que será preciso "utilizar plenamente" as ferramentas desenvolvidas nos últimos dez meses pelo seu governo para aumentar a competitividade, estimular a contratação de jovens e idosos e reformar o mercado de trabalho, entre outros. "Todos os instrumentos estão aí", insistiu Hollande, reconhecendo que sua equipe não havia previsto que a crise durasse tanto.

Como já era esperado, ele anunciou que o imposto de 75% sobre os salários de mais de um milhão de euros ficará a cargo das empresas. Aos franceses, atingidos no ano passado por uma diminuição de seu poder aquisitivo sem precedentes desde 1984, François Hollande prometeu que não haveria "nenhum outro aumento de impostos" em 2013 e 2014 além dos que já foram anunciados.

Segundo ele, o segredo está em cortar as despesas públicas. O presidente deixou claro, no entanto, que pretende manter o orçamento da Defesa no nível atual, eliminando uma incerteza que vinha preocupando tanto a direita quanto a esquerda.

Austeridade

No que diz respeito à proteção social, François Hollande se disse favorável ao aumento do tempo de contribuição para as aposentadorias, já que "a esperança de vida está aumentando".

Para favorecer a retomada do crescimento, ele preconizou um "choque de simplificação" dos procedimentos burocráticos das empresas, reafirmando sua confiança nos empreendedores, pois "o sucesso deles é o nosso". O presidente também anunciou medidas que diminuem os impostos sobre as cessões e as transmissões de empresas.

Hollande se posicionou claramente contra o excesso de políticas de austeridade na União Europeia: "Hoje em dia, prolongar a austeridade é o risco de não chegar a reduzir os déficits e a certeza de ter governos impopulares", que provocarão a ascensão dos movimentos populistas. "Manter a austeridade é condenar a Europa à explosão", disse ele.

Interrogado sobre sua autoridade, julgada hesitante, o presidente garantiu ter "a pele dura", e posou como "líder da batalha" contra o declínio econômico e social da França.

Sobre a regra de não acumular mandatos, uma das suas promessas de campanha, Hollande reafirmou simplesmente que ela seria efetiva ao final de seu mandato, excluindo uma aplicação em 2014 para as eleições municipais.

Ele se declarou favorável a uma "lei" sobre o respeito da laicidade nas empresas públicas ou creches, depois do caso muito comentado na imprensa francesa da funcionária de uma creche que foi demitida por usar o véu islâmico mas teve que ser contratada novamente por ordem da Justiça.

Em resposta ao sucesso da manifestação parisiense dos opositores ao casamento homossexual, Hollande lembrou que esse era um compromisso assumido durante a campanha, mas garantiu que a prática da barriga de aluguel permanecerá proibida na França enquanto ele for presidente da República. Em relação à reprodução assistida "para os casais que aliás não são necessariamente homossexuais", ele prometeu respeitar o parecer do Comitê Nacional de Ética, que deve sair até o final do ano.

Política externa

No que diz respeito à política externa, o presidente anunciou que o contingente militar francês no Mali será reduzido a dois mil soldados até junho, e confirmou que as tropas começarão a ser retiradas no final de abril.
O presidente também afirmou que o Mali deverá ter eleições até o final de junho: "Seremos intratáveis nesse ponto", afirmou ele.

Já sobre o conflito sírio ele disse que "não pode haver fornecimento de armas após o fim do embargo, em maio, se não houver a certeza de que elas serão usadas por opositores legítimos e alheios a toda iniciativa terrorista". "No momento não temos essa certeza", afirmou Hollande.

O jornalista David Pujadas também o interrogou sobre o indiciamento de Nicolas Sarkozy no caso L'Oréal. O ex-presidente é acusado de ter se aproveitado da vulnerabilidade da bilionária Liliane Bettencourt para obter financiamento ilegal para sua campanha eleitoral.

Hollande sublinhou que Sarkozy deve ser considerado inocente até que a Justiça prove o contrário, mas declarou com firmeza que "os juízes devem ser respeitados por sua independência". A frase faz referência às acusações recebidas pelo juiz que indiciou Nicolas Sarkozy.

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